AMARO VAZ ( 2013 )( 2014 ) https://www.facebook.com/amaro.vaz.7?locale=pt_BR

“Compre tudo o que tem preço
Conquiste o que tem valor.”
Quem prova porções de apreço
Devolve porções de amor.
Quem planta um bom sentimento
Mesmo sob um céu cinzento
Sabe a vida multicor.
AMARO VAZ
EXIGÊNCIAS
Estar junto nem sempre é estar perto
Estar ao lado. Andar de mãos dadas.
Estar presente nas mesmas gargalhadas
Mostrar os dentes num sorriso aberto.
Falo de amor. E todo amor, por certo
Exige mais que mãos entrelaçadas.
Que um passo amigo em suas caminhadas
Que hão de levar-lhe ao destino incerto.
O amor é fruto, ainda, não colhido
É sentimento, ainda, indefinido
É luz que acende o contentamento.
Porque o amor é tão inconseqüente
Que sempre exige conscientemente
Um andar constante do lado de dentro.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
MARÇO DE 2011
O amor é, exatamente, isso: permissão para sentir, proibição para definir e explicar e uma constante necessidade de deixar-se ir pelos caminhos dos sonhos.O amor sempre será conjugado no tempo presente. Amor no tempo passado é desamor.
Amaro Vaz
FELICIDADE
Muitas das vezes a felicidade
O bem maior que a gente sonha ter.
Deixamos escapar, sem perceber
Em meio às coisas da futilidade.
Escravizados pela vaidade
Lutamos, sempre, mais, por mais poder.
Vivendo a vida, apenas, por viver
Num mundo à mercê da crueldade.
Felicidade é mais que uma opção
(prefiro até dizer que é obrigação)
Como alcançá-la? Posso lhe dizer:
Plante na alma o fruto da verdade
Ame a si mesmo com sinceridade
Dê mais valor ao ser do que ao ter.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
OUTUBRO DE 2011
AMAR É...
Amar é ter acessibilidade
Ao mundo angelical de uma criança.
Plantar a paz durante a tempestade
Para colher sorrisos na bonança.
Amar é costurar fraternidade
No passo entristecido da vingança.
Tecer os argumentos da verdade
Na colcha de retalhos da esperança
Amar é semear contentamentos
Nas rugas de possíveis contratempos
Vivendo uma, constante, meninice.
Amar é ser presente o tempo inteiro
Desde o momento do olhar primeiro
Até o olhar cansado da velhice.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
18/10/2011
MORTE ANUNCIADA
Eu calo, tu te calas, nós calamos
E por falta de palavras não sabemos.
Se há em nós velhos sonhos que sonhamos
Ou se todos esses sonhos nós perdemos.
No vazio, a distância, nós brindamos
E o amor ao desamor nós devolvemos.
Nas loucuras dos fracassos semeamos
As fatias de misérias que haveremos.
De comer nas manhãs dessa saudade
No breu das madrugadas, nas verdades
Tantas vezes deixadas pra depois.
Enquanto, em nós, cresciam os mistérios
Nossos sonhos erguiam cemitérios
Na vida que sonhamos pra nós dois.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2011
SILÊNCIOS
Silêncios são palavras desviadas
Das rotas de um destino aventureiro.
São como as rosas, que nascem sem cheiro
São como estrelas, sempre, apagadas
Como as viagens que não tem chegadas
Um braço que não soube o abraço inteiro.
Um pássaro cativo, prisioneiro
Um barco de papel nas enxurradas.
Silêncios são distâncias consentidas
Que os medos vão tecendo em nossas vidas
Enquanto a mente em plena ebulição.
Contrariando o sonho mais bonito
Esconde na garganta o doce grito
Que escapa dos confins do coração.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA
FANTASMAS
A vida é simples... Nós que a complicamos
Ao nos sentirmos nos escuros breus
Tão pequeninos feitos pigmeus
Se algum problema estranho defrontamos.
Muitas das vezes nos acovardamos
Porque perdemos toda fé em Deus.
Usando a carapuça dos ateus
Em meio a precipícios caminhamos.
O joio e o trigo ocupam a mesma tulha
Na mente uma centelha, uma fagulha
Servindo de alimento ao fogo atroz.
Que aos poucos vai queimando os sentimentos
Em cujas cinzas crescem opulentos
Muitos fantasmas que se escondem em nós.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA
SILÊNCIOS
E se eu me acostumar com a sua ausência?
E se eu me acostumar a tudo isso?
E se eu me desfizer do compromisso
De amar, amar, amar, com paciência?
E se eu me acostumar com a carência?
E de repente ser, também, omisso?
Se o seu olhar perder todo o feitiço?
Será que você sabe a consequência?
Vão-se os anéis e ficarão os dedos
Os sentimentos mortos, os segredos
Irei dizê-los sem qualquer rancor.
Pois neste vai e vem, nos perderemos
Talvez bem antes. Será que não sabemos?
Que tão somente o amor constrói o amor?
AMROVAZ/CARANGOLA/MACAÉ
CONFLITO
Meu muito amor, seu pouco amor soubesse
Seu pouco amor, meu muito amor teria.
Que todo amor, meu muito amor daria
Se o pouco amor, meu muito amor, quisesse.
Meu muito amor, seu pouco amor pudesse
Compreender. Meu muito amor faria
Seu pouco amor, ser mais amor um dia
Se em pouco amor, meu muito amor coubesse.
Meu muito amor, seu pouco amor não soube
Acomodar. E tanto amor não coube
Em meio às coisas deste amor tão fútil.
Meu muito amor morreu. Seu pouco amor
Como uma foto que perdeu a cor
Também morreu, pois foi amor inútil.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
ABRIL-2011
ENCONTRO
Quando não me vens
Volto para dentro de mim
Porque lá te encontro sempre.
Amaro
MEU TUDO
Tu és minha luz. E como luz clareia
A minha estrada, o meu atalho, a trilha.
Tu és meu mar. E como mar me rodeia
Como se eu fosse uma pequena ilha.
Tu és meu fogo. A chama que incendeia
O amor constante que em meus olhos brilha.
Tu és maravilha dentre as maravilhas
Todas as noites a minha lua cheia.
Tu és meu sol, a minha estrela, o dia
Tu és minha paz, a calma, minha alegria
Tu és a alma que em minha alma habita.
Tu és a inspiração deste poema
Tu és, portanto a mais bonita cena
Tu és todo amor que no meu peito grita.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA
MARÇO DE 2011
ORAÇÃO
Se vem de ti Senhor seja bem vinda
Toda alegria. Sê bem vinda a dor
Bem vinda seja a paz interior
Bem vinda seja esta manhã tão linda.
Todas as bênçãos que hão de vir ainda
Bem-vindo seja todo este amor.
A fonte, os rios. Bem vinda seja a flor
Toda abundância. Esta fé infinda.
Bem vinda a luta. A voz absoluta
Bem vindo o suor de uma labuta
Bem vinda a vida. Tudo o que nela tem.
Muito obrigado Pai. Muito obrigado!
Mil vezes Te direi, muito obrigado
Pela misericórdia, a graça. Amém!
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
28 DE JANEIRO DE 2011
ESPELHO
Meu espelho
me mostra
sempre
a mesma imagem.
o que muda é o olhar,
o sentimento, o ânimo
Jamais a autenticidade.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
21 DE FEVEREIRO DE 2011
SONETOS
Fazer soneto é uma doença crônica
Cujo sintoma nos induz à prática.
De unir o português à matemática
Contando as letras de maneira irônica.
Todo soneto tem a mesma tônica
Fundamentada em uma simples tática:
Uma vogal perdida na temática
Sente por outra uma paixão platônica.
Desta união, divinamente, utópica
Nasce uma rima com feição melódica
Como se fosse uma bonita orquestra.
Que leva amores aos bailes da vida
Que leva dores às emoções sofridas
Que é morte e vida. Que é velório e festa!
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
JANEIRO 2011
DESPEDIDA
Aos poucos você foi se acomodando
Aos poucos tomou todo meu espaço.
Aos poucos você foi me cativando
Aos poucos foi criando um forte laço.
Aos poucos, mais e mais, foi se ajeitando
Aos poucos se fez dona do pedaço.
Aos poucos, simplesmente, fui deixando
Aos poucos me fiz presa do seu passo..
Agora, em minha, vida está presente
Enfeita, noite e dia, a minha mente
Por não saber se é bom ou se é ruim.
Pretendo me afastar, também, aos poucos
(Antes que os sentimentos fiquem loucos)
Irei matar você dentro de mim.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
Quando nada entre nós fizer sentido/ Quando tudo entre entre nós perder a cor/ Quando não mais em nós houver o amor/ Quando um de nós dois andar perdido/
O silêncio demais for permitido/ A palavra entre nós perder valor/ Quando em nós habitar o desamor/ E o carinho entre nós for proibido/ Mais e mais o amor eu buscarei/ No jardins coloridos onde plantei/ A semente de amor que nos uniu/ Pra mostrar-lhe que que o amor que nós tivemos/ Como a rosa mais linda que colhemos/ A rotina entre nós descoloriu. (ROTINA) - Série improvisos.
RESTAURAÇÃO
Quando os dias cansar-me de vivê-los
Consistentes, libertos, inocentes.
Quando a boca ceder aos cotovelos
O direito às palavras deprimentes.
Quando os dias cansar-me de entendê-los
Como sendo de Deus lindos presentes.
Quando os sonhos virarem pesadelos
Infelizes, banais, inconsequentes.
Quando tudo fugir da minha alçada
Quando olhar-me no espelho e não ver nada
Nada além de vazio o meu descaso.
Deixar-me-ei conduzir com toda calma
Aos escombros perdidos na minha alma
Pra que Deus faça de mim um novo vaso.
AMARO VAZ
COLATINA/CARANGOLA
ABRIL/2014
Nem sempre temo a polícia
Nem sempre temo o ladrão.
Temo mesmo é a malícia
Que alguns têm no coração.
Amaro
Toda arrogância me intriga
Porque sei que nela há.
Sempre um pezinho de urtiga
Se achando jequitibá.
Amaro
Eu sou de muita conversa
Mas, em questão de segundos.
Mergulho com muita pressa.
Aos silêncios mais profundos.
DESPEDIDA
Deixar-te-ei que colhas os novos passos
Não mais consigo ver em ti tristezas.
Eu quero crer, que em muitas correntezas.
Deixaste naufragarem teus cansaços.
Deixar-te-ei que saibas mais abraços
Da vida saibas todas as belezas.
Comigo guardarei muitas certezas
De alguém que conheci com tristes traços.
Espero que tu tenhas reparado
Que tudo é uma questão de experiência
Que o sonho, cada sonho, que é sonhado.
Poder-se-á, se sempre for buscado.
Em sua imensidão, em sua essência.
Ser sonho, inteiramente, realizado.
AMARO VAZ
COLATINA/CARANGOLA
09/04/2014
AUTORRETRATO
Com mãos divinas fiz a doce infância
Com mãos aflitas fiz a adolescência.
Com mãos malditas fiz a inconsequência
Com mãos benditas fiz a penitência.
Com mãos sensatas fiz a tolerância
Com mãos presentes fiz a diligência
Com mãos frequentes fiz a experiência
Com mãos decentes fiz a minha essência.
Com mãos olhares fiz nosso caminho
Com mãos felizes fiz os nossos ninhos
Com mãos unidas fiz os nossos trilhos.
Com mãos serenas fiz nossa alegria
Com mãos sorrisos fiz feliz o dia
Em que nas mãos eu carreguei meus filhos.
AMARO VAZ
COLATINA/CARANGOLA
11/04/2014
PAIXÃO
Nasceu melódica e se fez platônica
Viveu atômica e não se fez canção.
E assim metódica a nossa paixão
Morreu tristonha e não se fez eufônica.
Como se fora uma tragédia cômica
Tão antagônica a nossa união.
Viu-se perdida nas mãos da razão
Levada ao fogo da ilusão irônica.
Talvez pensando que tantas retóricas
Tivessem um par de asas meteóricas
Para voar enfim de flor em flor.
Viu-se perdida no passar das horas
Presa e esquecida numa atroz gaiola
Onde morreu sem conhecer o amor.
AMARO VAZ
COLATINA/CARANGOLA
10/04/2014
DEVANEIOS
E da saudade fiz um par de asas
Do pensamento fiz um horizonte.
Do que era muro fiz a linda ponte
E ao tempo frio dei calor de brasas.
E aos sentimentos eu levei palavras
Bebi sorrisos de uma nova fonte.
E aterrissei com um olhar na fronte
Queimando mais que incandescentes lavas.
E em pensamento abracei-me à Leila
Do abraço fiz crescer nossa centelha
E da centelha fiz a combustão.
Mas de repente a dor da realidade
Trouxe de volta as dores da saudade
E dentro dela a triste solidão.
AMARO VAZ
COLATINA/CARANGOLA
10/04/2014
CONSTATAÇÃO
Se não me fiz, por que queres fazer-me
Antes que eu saiba o inteiro construir.
Antes que eu sorva inteiro o consumir
Antes que eu saiba enfim o meu saber-me?
A tua louca sede de beber-me
Contigo há de ficar e resistir.
Até que eu saiba o passo conduzir
Até que eu viva pleno o conhecer-me.
Cercado pelas ondas andarilhas
Sou pequenina ilha em cujas trilhas
Escreve a dor de forma assim direta.
Nada mais tenho além da solidão
E os versos que componho não me dão
Razões para pensar que sou poeta.
AMARO VAZ
COLATINA/CARANGOLA
12/04/2014
TEMO POR MEUS OLHOS
Thiago de Mello
Temo por meus olhos
diante das puras vestes.
E no entretanto, desejo.
Temor que sugere o epílogo
de ser cântaro partido
ao lado de fonte pródiga.
A não contemplar, prefiro
definitiva cegueira.
Não como os homens cegos,
mas como os pés das crianças
que são cegos, caminhando.
AMIGA PRINCESA
E Deus te fez mulher absoluta
E Deus te fez com mãos abençoadas.
E Deus te preparou muitas jornadas
E Deus te concedeu o amor à luta.
E Deus te fez valente e resoluta
E Deus te acompanhou nas caminhadas.
E Deus te encheu de bênçãos as estradas
E Deus te fez presente na labuta.
E como Deus é tua fortaleza
Fez-te mulher e mãe, te fez princesa.
E delicada qual botão de rosa.
Um ser humano pleno em tua essência
Uma menina plena de inocência
Uma mulher enfim maravilhosa.
E tendo em Deus a tua fortaleza
Das tuas mãos renasce a beleza
Da tua mente um novo penteado.
AMARO VAZ
Que ser feliz é tudo o que procuro/ É tudo o que eu tento a cada instante/ Pintando mais e mais em meu semblante/ Mais pontes, mais portões e nenhum muro/ Mostrando um passo certo e seguro/ Serei contudo bem mais confiante/ E não somente mais um ser passante/ Medroso, inconsistente, e imaturo./ Felicidade é ser..(bem mais que ter)./ É se saber melhor e conhecer/ A rota, mesmo que caminhe a esmo/ É ter dentro de si constantemente/ O amor que explode perdidamente/ Por si, repita sempre, por si mesmo. Amaro Vaz (série improvisos)
" Dedicatória "
Este meu livro é todo teu, repara
que ele traduz em sua humilde glória
verso por verso, a estranha trajetória
desta nossa afeição ciumenta e rara!
Beijos! Saudades! Sonhos! Nem notara
tanta cousa afinal na nossa história...
E este verso – é a feliz dedicatória...
onde a minha alma inteira se declara...
Abre este livro... E encontrarás então
teu coração, de amor, rindo e cantando,
cantando e rindo com o meu coração...
E se o leres mais alto, quando a sós,
é como se estivesses me escutando
falar de amor com a tua própria voz!
(Poema de J. G. de Araujo Jorge, do
livro "Meu Céu Interior" - 1934.)
Fragmentos ...
[...]amanheci sem palavras, pensativo, olhar distante, pensamento em algum lugar desconhecido, mas que eu sei tratrar-se minha morada.
Busco uma definição para o sentimento e o que encontro são emoções continuadas, sensações de paz, estrelas cintilantes, arco-íris, luas, sois, cheiro de terra molhada, sorrisos constantes e calma. Muita calma...
Não há como explicar, porque sentir me preenche todos os espaços...
Amaro Vaz
FANTASMAS
A vida é simples... Nós que a complicamos
Ao nos sentirmos nos escuros breus
Tão pequeninos feitos pigmeus
Se algum problema estranho defrontamos.
Muitas das vezes nos acovardamos
Porque perdemos toda fé em Deus.
Usando a carapuça dos ateus
Em meio a precipícios caminhamos.
O joio e o trigo ocupam a mesma tulha
Na mente uma centelha, uma fagulha
Servindo de alimento ao fogo atroz.
Que aos poucos vai queimando os sentimentos
Em cujas cinzas crescem opulentos
Muitos fantasmas que se escondem em nós.
AMARO VAZ
O POETA
Um coração que ri, não há quem dome
Não há quem dome, um coração que chora.
Se a mente expele o que a su’alma aflora
Toda essa essência verme algum lhe tome.
Na dor alheia mata a sua fome
Em verso e prosa segue mundo afora.
Destrata o tempo, a vida desafora
Nem mesmo a louca morte lhe consome.
Que ser poeta é ter o dom divino
De introceder nas regras do destino
Contrariando o dom da criação.
Que ser poeta é habitar o ventre
Do sentimento humano. Ser a semente!
Que aflora um verso em cada coração.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
METADES
Para mim
Meia palavra não basta.
Um rosto pela metade
Também me causa o mesmo efeito.
Defendo a verdade inteira
(incondicionalmente inteira)
O que seria de um tela
Sem a tinta, o pincel, a imaginação?
O que seria do verso sem as palavras
Sem o sentimento, sem a inspiração?
Sou, literalmente, implacável com os mentirosos.
Sou, radicalmente, intolerante com os falsos
Tenho, apenas, um rosto
Um olhar, um sentimento, um pensamento.
Para mim não existe real e virtual
Separados por uma tela iluminada
Pela luz do que me é distante.
Não amo pela metade
Não sou metade amigo, metade inimigo
Se rio ou se choro. Se me fecho ou me exponho.
A cada sentimento me entrego
No seu tempo, no seu momento.
Para mim meia palavra castra
Meia verdade? Basta!
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
19 DE FEVEREIRO DE 2011
SABEDORIA
Fosse o mar
Arrogante
Mar não seria.
Faz-se humilde
Menor e menos denso
Pra receber o rio.
Como é sábio o mar...
Por isso é grande
E como o mar eu penso.
Fossem os degraus
De uma escada
Dispostos: uns sobre os outros
A lugar nenhum levariam.
Como são sábios os degraus...
Por isso a escada é grande
E como a escada eu penso.
Fosse o homem
Menos hipócrita
E ajudasse mais
E mais ajuda pedisse
Como seria sábio o homem...
Eu, com esse homem sonho.
Amaro Vaz
MEU TUDO
Tu és minha luz. E como luz clareia
A minha estrada, o meu atalho, a trilha.
Tu és meu mar. E como mar me rodeia
Como se eu fosse uma pequena ilha.
Tu és meu fogo. A chama que incendeia
O amor constante que em meus olhos brilha.
Tu és maravilha dentre as maravilhas
Todas as noites a minha lua cheia.
Tu és meu sol, a minha estrela, o dia
Tu és minha paz, a calma, minha alegria
Tu és a alma que em minha alma habita.
Tu és a inspiração deste poema
Tu és, portanto a mais bonita cena
Tu és todo amor que no meu peito grita.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA
MARÇO DE 2011
O meu limite é o sono
A cama que me espera
O descanso necessário à próxima jornada.
Independente da vontade
Estarei presente, consistente, consciente.
Porque sou assim:
Tenho comigo o meu verdadeiro Deus
Tenho comigo minha imensa fé
Tenho comigo a vontade de fazer o melhor
Que venha o dia. Nele estarei de corpo e alma
E renovado pela noite bem dormida.
Amaro.
Por ora, o despertador é passado, a madrugada é sono, o amanhecer é cama. Por ora o compromisso é descompromisso, meu limite é ilimitado. Por ora, não tenho horário, não me prendo ao calendário, não programo meus dias, nem me permito preocupações. Quero viver intensamente, comigo mesmo. Quando o novo momento chegar, eu me ligo e retomo o comando de minhas ações.Por ora, serei , apenas, esperas e reticências. Sem interrogações..E que venha o novo desafio.
Amaro Vaz
Seus silêncios tantos
Colhem em meus silêncios muitos.
Ausências intermináveis.
Nenhuma palavra textualiza a esperança
Nenhuma semente sobrevive.
A frase é um pequenino ramo ressequido
O sentimento morre...
A verdade se retira...
O adeus se faz...
E o muito que se fez
Agora é tanto faz.
Primavere-se em mim
Que outonar-se
É me esquecer
Que me esquecendo
É me perder.
Antes que venha o verão
Onde sonhamos nos queimar
Em abraços tantos, em momentos quentes.
Primavere-se em mim
Que outonar-se
Folha por folha
Descarta-se o sentimento.
Amaro Vaz
Basta à vida
O viver intenso.
O passo preciso
O saber-se melhor.
Quando se foge do amor
O desamor se colhe.
Basta à vida
O amar intenso.
O passo preciso
O dar-se melhor.
Quando se esconde o amor
Outro cenário se colhe.
Amaro Vaz
Minhas palavras dormem
Silenciosas em mim.
Esqueço o verso
Descarto o passo
Abandono o caminho.
A poesia agora, e por ora,
É um pequenino espelho
Que reflete ausências.
Ao passado os seus dons
À vida, suas armadilhas.
Ao silêncio, uma louvação.
O que fui não importa
Onde fui já não vou.
Em mim há uma porta
Que permite a entrada e a saída.
Desço a bagagem que carrego
Nesta estação abandonada,
O destino? Redesenho-o em mim.
E nos vazios das reticências
Semeio esperanças...
Amaro Vaz
Se quiseres me amar
Que seja do meu jeito.
Gentileza em troca de gentileza
Amizade construindo sentimentos
Respeito consolidando a obra inteira.
Não te quero presa ao que sou
Nem te desejo livre em demasia.
Em teus voares, que eu seja o vento.
Em meus voares, que tu sejas a brisa.
Que em nossas ausências
Seja constante a presença
De nossos quereres e escolhas.
Que nada nos seja improvável e obscuro.
Para que a dúvida nunca nos alcance a alma.
Se quiseres me amar
É preciso que saiba mais sobre vida
E menos sobre o amor em si.
Que amar é aprender com o tempo a se amar.
“Que o amor não é semente, mas semear.”
É cuidar da roseira, para se valorizar a rosa.
É viver, não um pelo outro,
Mas um com o outro.
É caminhar do lado dentro do outro
E não caminhar ao lado do outro.
Se quiseres me amar
Não é preciso que saibas tudo sobre o amor.
Porque juntos, se quiseres me amar,
Poderemos aprender o amor passo a passo.
Sem bula, para que não seja um remédio.
Sem manual de instruções,
Para que não seja comparado a uma mercadoria.
Amaro Vaz
DESPEDIDA
Estranha neblina
Lágrimas de Colatina
Sol que se esconde
Triste, talvez, pela minha partida.
Coisas do frio, inimigo conhecido,
(Invejoso, talvez, pela minha vinda).
Escurecem o dia, antes, tão brilhante.
O olhar não alcança a esquina
Nem o rio que lentamente corre.
O medo me alcança o dentro
-reação espontânea de quem teme o tempo-
Mudanças inesperadas e não planejadas
Como se a vida se explicasse abruptamente.
Lágrimas de Colatina, tempo nublado.
Cenário desconhecido que levarei comigo
Saudoso dos dias de sol intenso
Que me fizeram companhia.
Assim como o rio, que corre lentamente,
Lentamente me permito navegar
Em busca de novos mares.
Amaro Vaz
20/05/14
MUDANÇAS
Sacudir a poeira
Sintonizar a vida em outra estação
Ouvir novas canções
Mudar o ritmo, dançar, sorrir diferente.
O dia se renova. Brisa vira ventania
Ventania vira tempestade
Tempestade vira bonança.
Tudo é cíclico, até o que é cítrico,
Fica melhor com uma colher de açúcar
E uma ligeira mexidinha.
Da mesmice, que chatice...
Colhe-se o mesmo sabor de sempre.
Se fechadas estão as janelas, escancarem-nas,
Que o vento virá sem lhe pedir licença.
Que o olhar conhecerá a vida que lá fora corre.
Vive-se de amor, mas de amor se morre.
Vive-se de saudade, mas de saudade se sofre.
Se a bagagem é imensa recolhe-se o que compensa
E o resto... Todo o resto se dispensa!
O dia de hoje, dispensou o dia de ontem.
O minuto acaba de dispensar o minuto passado
A neblina da manha já é sol intenso.
O orvalho, pequenina lágrima sobre o galho,
Evaporou-se, desintegrou-se, deixou de ser orvalho.
Sacudir a poeira.
Retirar dos ombros o peso de velhos entulhos.
Renovar-se. Reconstruir-se. Refazer-se.
Seja uma pipa que se desprende da linha
Dance no ar. Pouse num chão desconhecido
E o faça seu. Completamente seu.!
Amaro Vaz
Colatina/20/05/14
TEMPO
Se o que fui, já não sou,
O que importa?
Se nas teorias da vida
A mudança é constante.
E desde pequeno
Aprendi que o caminho
É, simplesmente, caminhar.
Meus atalhos e sendas
São minhas convicções.
E o que vejo na estrada
São percepções longínquas
De uma chegada qualquer.
Para quem não sabe o tempo
A chegada não interessa.
Qualquer lugar é o lugar.
Desde que lá eu me saiba
Desde que lá eu seja
Não o que um dia fui...
Apenas,e momentaneamente,
O que serei depois de tudo isso.
Se amigos deixei no caminho
Se os meus pés doem
Se o corpo se cansou
de que valem esses pesos?
Nas teorias da porta
Entrada e saída
Se fazem no mesmo espaço.
AMARO VAZ
COLATINA
21/05/14
VIAGEM
O trem me fascina
Ferro sobre ferro
Deslizando ausências.
Estações distantes
Desvendando o futuro
E essa minha loucura
Por viagens assim.
O trem me fascina
O apito na curva
Anunciando vindas.
Estação presente
Colorindo sorrisos
E nessa minha loucura
Não me vejo em mim.
AMARO VAZ
COLATINA
21/05/14
SAUDADE
Somos o que fomos
Quando a saudade vem.
Pensamento no passado é assim.
Disse-me-disse
Idas e vindas
E o tempo descontrolado
Tentando organizar o bagunça.
AMARO VAZ
COLATINA
21/05/14
CANÇÃO VAZIA
A canção é meio de transporte
É viagem ao seu mundo
Palavras poemas
Inspiração.
Nelas me perco.
O monólogo se faz
A alma transpira.
A canção me faz forte
Para encurtar o caminho
Edificar a pressa
Para fazer-se abraço.
AMARO VAZ
RECOMEÇO
Tenha calma comigo amor
Venho de um mundo triste
Onde convivi com tempestades
De tristezas continuadas.
Deixe que eu me readapte ao novo.
Assusta-me essa chuva de sorrisos
Que agora me molha o rosto.
Assusta-me andar de mãos dadas
Olhar nos olhos, ouvir essa estranha.
E desconhecida voz do sentimento.
Tenha calma comigo amor
Que tudo é novo para mim.
Adormecer ao seu lado
Amanhecer ao seu lado
Viver ao seu lado.
Venho de um mundo triste
Onde o silêncio era presença constante.
Reconheço que muito terei que reaprender
Sobre o nosso mundo
A ausência se instalou dentro de minha alma.
Enquanto eu ouvia a voz
Das manhãs nubladas, das noites tristes.
Tenha calma comigo amor
Não quero tomar este copo de felicidade
Com a mesma pressa de antes.
Deixe-me acostumar com o gosto adocicado
De sua acentuada paz, do seu sorriso lindo.
Da sua voz macia e calma...
Se a volta, inesperada e abrupta, é um remédio.
Que ele seja degustado em doses constantes.
Para aliviar, curar, e cicatrizar vazios antigos..
Tenha calma comigo amor
Só mais um tiquinho de calma
Logo a mala estará vazio
E o coração abundantemente cheio.
AMARO VAZ
COISAS IGUAIS
Desativa-me?
Desativo-te!
Que a vida, por ora
É desencontro.
Que a vida, definitivamente,
Se fará ausência.
AMARO VAZ
ALMOÇO NO DIA DO ABRAÇO
A balança do restaurante
Não sabe o tamanho da fome
Que levo em mim.
Por isso me espera
Equilibradamente silenciosa.
Hoje eu a surpreendo
Já que levarei comigo
Essa fome imensa de abraços.
Hoje eu me rendo às suas oscilações.
Hoje será assim:
Vale quanto pesa
São tantos os abraços desejados
Que aquela balança estática
Se sentirá, amalucadamente, humana., .
AMARO VAZ
SILÊNCIOS
Espalho sementes dos seus silêncios
Pelas sendas escuras, que os pés caminham.
Não para alimentar-me de seus frutos futuros.
Nem descansar sob a sombra de suas árvores.
Delas, as árvores tantas, só desejo o cheiro dos vazios
O doce aroma dessa doída ausência de palavras.
AMARO VAZ
22/05/14
1 de outubro de 2014
O tempo passou ligeiro
Sobre o corpo envelhecido
Para avisar ao coveiro
Que o tempo dele é vencido
A cara se encheu de pregas
Que ele não mais se enxerga
Que tudo está tenebroso.
Deixo aqui o meu recado
Ao velhote desgraçado
Meu velho amigo idoso.
Homenagem no Dia do Idoso à Jenario de Fátima.
Jenario de Fátima
.
Eu nunca fui um idoso.
Idoso nunca serei.
Sou apenas preguiçoso
porém nunca me cansei.
Dizem sim que sou gostoso
mas eu mesmo não provei.
Quem provou sabe de sobra
O gosto de certa cobra
que faz sentir um Rei.
MEUS FILHOS
Aos meus filhos e aos meus versos
Concedo a liberdade de escolha.
Ora são livres de rimas e amarras
Como as andorinhas que sobrevoavam
A minha longínqua infância.
Ora são sonetos severos
Sujeitos às rimas, à contagem silábica,
Presos às regras que lhes são impostas.
Como os generais revolucionários, que eu tanto temia,
Na minha infância longínqua.
Onde começa a vida? Bem sei...
Onde começa a poesia? Não sei...
Apenas misturo tudo no mesmo baú de sonhos
Na mesma mala de concordâncias, exclamações.
Interrogações e reticências.
AMARO VAZ
COLATINA,22/05/14
ORGULHO
Aquele amor que um dia semeamos
No chão batido das nossas infâncias.
Cresceu alimentado por distâncias
E à sua sombra, agora, descansamos.
Depois de algumas perdas e alguns danos
No olhar as marcas vis das reentrâncias.
A idade foi passando e as arrogâncias
Aos poucos, com carinho, descartamos.
Soubemos manter nossos pés nos trilhos
Dar toda atenção aos nossos filhos
Cumprimos com louvor a nossa meta.
Agora pelas ruas do passado
Podemos orgulhosos. Lado a lado.
Apresentar à vida nossa neta.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
21/12/2012
O NATAL NOSSO DE CADA ANO
Família unida à mesa de jantar
Num canto, ali sozinha, a rabanada.
Um tempo, eu sei pequeno, pra rezar
Para pedir... Agradecer? Que nada!
Leitoa assada. É só “pururucar”!
Uma cerveja, sempre, bem gelada.
No amigo oculto alguém para falar
Que o seu amigo tem a língua afiada.
Meninos sonolentos reclamando
O álcool consumado e consumando
A mágoa acumulada o ano inteiro.
No fim da festa, bêbados cantando
Enquanto a mãe num canto está chorando...
Assim é o Natal do brasileiro.
AMARO VAZ
CARANGOLA/MACAÉ
24/12/2012
SOLIDÃO
A mesma voz estranha. O mesmo esboço!
As mesmas confusões nos sentimentos.
A mesma história de tristes momentos.
A mesma vaga no fundo de um poço.
Sem perceber que é ineficaz o esforço
Deixamos livres nossos pensamentos.
Que buscam, sempre, aquele velho osso
Por não saberem outros passatempos.
A convivência um tanto assim traumática
No aprendizado impõe a mesma tática
E em se aprendendo é que se vê então.
Que somos frágeis contra esse inimigo
Nem mesmo a ajuda do melhor amigo
Pode acabar com a nossa solidão.
AMARO VAZ
CARANGOLA/MACAÉ
24/12/2012
AMOR MODERNO
Não vejo mais aquele olhar fraterno
Comum na vida dos velhos casais.
Nem mesmo o amor do tempo dos meus pais
Que já nascia para ser eterno.
O amor de agora é muito mais moderno
(Existem até amores virtuais)
Por isso é que se vê cada vez mais
O céu de braços dados com o inferno.
O amor se faz agora nas baladas
Por isso é que se vê nas madrugadas
Não sei se por vingança ou por capricho.
O amor sujeito ao frio das sarjetas
Jogado sobre as sacolas pretas
Que na manhã seguinte irão pro lixo.
AMARO VAZ
CARANGOLA/MACAÉ
AMOR MODERNO
Não vejo mais aquele olhar fraterno
Comum na vida dos velhos casais.
Nem mesmo o amor do tempo dos meus pais
Que já nascia para ser eterno.
O amor de agora é muito mais moderno
(Existem até amores virtuais)
Por isso é que se vê cada vez mais
O céu de braços dados com o inferno.
O amor se faz agora nas baladas
Por isso é que se vê nas madrugadas
Não sei se por vingança ou por capricho.
O amor sujeito ao frio das sarjetas
Jogado sobre as sacolas pretas
Que na manhã seguinte irão pro lixo.
AMARO VAZ
CARANGOLA/MACAÉ
UNANIMIDADE
Quem crê na unanimidade
Comete grande tolice
Na mentira vê verdade
Na inteligência, burrice.
Sem ver a disparidade
Que existe nessa crendice.
Promove a continuidade
Do triste disse-me disse.
E assim pequenos boatos
São transformados em fatos
Simplesmente verdadeiros.
Partindo de alguns palpites
Vão muito além dos limites
Das cercas de alguns terreiros.
AMARO VAZ
CARANGOLA/MACAÉ
SONETOS
São tão suaves melodicamente
Quando, em voz alta, adentram meus ouvidos.
Que harmoniosos meus cinco sentidos
Logo percebem a mão de Deus presente.
Visitam arquivos nos porões da mente
Trazem lembranças de amores vividos
Todos os sonhos, que julguei perdidos
Como se fossem uma canção plangente.
São tão sutis suas rimas silábicas
Que até histórias, muitas vezes, trágicas
Têm um final feliz em seus tercetos.
Há quem prefira uma rima solta
Prefiro ver, assim, minha’alma envolta
Pela leveza de lindos sonetos.
AMARO VAZ
CARANGOLA/MARÇO 2013
O FIM DE UM SONHADOR
O fim de todo grande sonhador
Que não busca seus sonhos por preguiça
É ter muitos castelos de cortiça
Cercados por paredes de isopor.
É caça que se entrega ao predador
É passo sobre areia movediça.
É tolo, pois, que parte da premissa
De que seu sonho nunca tem valor.
Não vê, no fim do túnel, radiante
A luz da vida intensa e fascinante
Vivendo qual se fosse pedra bruta.
Prefere a companhia do marasmo
Vendo passar a vida, um tanto pasmo,
Sem ter coragem pra enfrentar a luta.
AMARO VAZ
CARANGOLA/MARÇO 2013
TOMATES
Hoje comprei dois quilos de tomates
Doze vezes, sem juros, no cartão.
Mal entro em casa ouço a gozação:
Banhado em ouro dezoito quilates?
Por doze meses eu farei biscates
Para poder pagar a prestação.
No carro, com esmeril tocado a mão,
Penso amolar tesouras e alicates.
Fins de semanas eu darei plantões
Como espantalho em muitas plantações
E pra não ter meu nome no Serasa.
Posso vender meus dois lindos filhotes
Trinta bezerras, cinqüenta garrotes
Minha fazenda, o avião e uma casa.
AMARO
O ASSALTO
É um assalto. A sua bolsa ou sua vida!
Assustado, perguntei: Tenho opções?
Depois de ouvir minhas explicações
Duvido que a missão seja cumprida.
Venho do enterro da mulher querida
Não resistiu ao câncer nos pulmões.
O Alzheimer só me traz complicações
A pobre mente anda um tanto esquecida.
Tentando comover os dois ladrões
Eu perguntei: Escolham as opções!
Qual delas lhes trará mais alegrias?
Da vida há muito tempo sou escravo
Na bolsa não carrego um só centavo
As duas, podem crer, estão vazias.
AMARO VAZ
ABRIL/2013
READAPTAÇÃO DE UM POEMA ANTIGO
VÍCIO
Nas redes sociais vejo tomates
A fúria atroz de um norte coreano.
Loucuras do pastor Feliciano
Flamengo e Vasco fora dos combates.
Poucos poetas de muitos quilates
Um escritor (?) maluco e um tanto insano
Que ao mundo das palavras causa dano
Pensando-se Drummond, René Descartes.
Pessoas que se unem contra o plágio
Produtos revendidos com deságio
Alguns usando as redes por ofício.
O que eu pensava ser divertimento
É mais que um gostoso passatempo
É vida. É diversão. É um grande vício.
AMARO
VIDA
E mais e mais se vive mais se aprende
E mais e mais se aprende mais se avança
E mais e mais se avança mais se alcança
E mais e mais se alcança mais se entende.
E mais e mais se entende mais se estende
E mais e mais se estende mais se lança.
E mais e mais se lança mais se entrança
E mais e mais se entrança mais se prende.
E mais e mais se prende mais se apanha
E mais e mais se apanha mais se ganha
E mais e mais se ganha mais se cresce.
E mais e mais se cresce mais se prega
E mais e mais se prega mais se entrega
Às coisas que viveu, quando envelhece.
AMARO VAZ
CARANGOLA/15/04/2013
NOTÍCIAS DAS REDES
Infelizmente o Monstro da Inflação
Que estava, como um urso, hibernado.
Depois de um grande sono, o desgraçado
Acorda e segue em nossa direção.
Revistas de grande circulação
Disseram, que o monstro esfomeado.
Foi visto dentro de um supermercado
Devorando alguns fardos de feijão.
Por certo, o antigo chefe do covil
Dirá, mais uma vez, que nada viu
Que essas notícias não são verdadeiras.
Dirá, também, que vê essas revistas
Como grandes aliadas dos golpistas
Apenas por questões eleitoreiras.
AMARO VAZ
NOTÍCIAS DAS REDES
Espero que o Domingo do Faustão
Não seja de emoções entusiásticas.
Que em suas ingerências antipáticas
Não brinque com a dor de uma nação.
Que as bombas nas panelas de pressão
Usadas para as explosões bombásticas.
Não sejam vistas de formas sarcásticas
Como é comum em muita ocasião.
Como o programa é líder de audiência
Meu medo é que com a sua influência
Esse desaforado cozinheiro.
Consiga, de repente, uma “boquinha”
Como chefe vitalício da cozinha
Que atende o Congresso Brasileiro.
AMARO VAZ
AMAR
Quem ama, não desdenha, guarda a senha
Sabe o tato, lembra o fato, sente a chama,
Sente o clima, se anima, não reclama
Faz a casa, cria asas, corta a lenha.
Colhe o fruto, resoluto, se embrenha
Reza o terço, no apreço faz a cama.
Consciente, segue em frente, sol e lama.
Sabe o texto, o contexto da resenha.
Tudo é lindo, sorrindo, vive em paz
Neste amor, sem temor, tudo lhe apraz
Seja um muro, no escuro, claridade.
Manda flores, ceifa dores, põe o sal
Faz o almoço, faz o poço, afinal
Sua vida é construída na verdade.
AMARO VAZ
AMOR MODERNO
Não vejo mais aquele olhar fraterno
Comum na vida dos velhos casais.
Nem mesmo o amor do tempo dos meus pais
Que já nascia para ser eterno.
O amor de agora é muito mais moderno
(Existem até amores virtuais)
Por isso é que se vê cada vez mais
O céu de braços dados com o inferno.
O amor se faz agora nas baladas
Por isso é que se vê nas madrugadas
Não sei se por vingança ou por capricho.
O amor sujeito ao frio das sarjetas
Jogado sobre as sacolas pretas
Que na manhã seguinte irão pro lixo.
AMARO VAZ
CARANGOLA/MACAÉ
AUSÊNCIAS
FALTOU-ME TEMPO
PARA TODOS OS VOOS
E VONTADE EXPLÍCITA
PARA NOVOS CAMINHOS.
ESTACIONEI
COMO QUEM ESTANCA O SANGUE
PARA PRESERVAR A VIDA.
VI TARDES DE CHUVA
ACOMPANHEI ENTERROS
SENTI FRIO E CALOR
EM NOITES NÃO DORMIDAS.
FALTOU-ME TEMPO
PARA TODOS OS PASSOS
E VONTADE INTRÍNSECA
PARA NOVAS CHEGADAS.
ESTACIONEI
COMO QUEM AMARRA UM BURRO
POR SABÊ-LO DESOBEDIENTE.
VI TARDES DE OUTONO
ACOMPANHEI PROCISSÕES
MAS... NÃO ENCONTREI
O MEU SANTO PROTETOR.
FALTOU-ME TEMPO
PARA ACREDITAR EM MIM
E CORAGEM BASTANTE
PARA CONVERSAR COM DEUS.
AMARO VAZ
SONHOS
OS MEUS DIAS
EU OS EDIFIQUEI EM SONHOS
SOBRE AREIAS IMAGINÁRIAS
E NENHUMA VIGA CONCRETA.
OS MEUS DIAS
EU NÃO OS VIVI INTEIRAMENTE
DESTRUÍDOS QUE FORAM
PELO VENTO DA REALIDADE.
OS MEUS DIAS
EU NUNCA OS TIVE MEUS.
DIRIGIDOS QUE FORAM
PARA A TUA FELICIDADE.
AMARO VAZ
APENAS FALAR DE AMOR NÃO É AMAR
FALAR DE AMOR
NÃO É AMAR O AMOR
QUE SE PRETENDE VIVER.
O AMOR É SILÊNCIO
QUE NÃO ULTRAPASSA
OS LIMITES DA GARGANTA
E VOZ QUE SE PERDE
NA COMPLICADA GESTAÇÃO
DO SENTIMENTO.
FALAR DE AMOR
NÃO É AMAR O AMOR
QUE SE ACREDITA SENTIR.
O AMOR É AVESSO
As DIVULGAÇÕES SEM PROPÓSITO
E DESPREZA OS GRITOS E FALAS
DE UM POEMA-HOMENAGEM
PORQUE ODEIA SER
O QUE NUNCA FOI.
FALAR DE AMOR
E NÃO SENTIR O AMOR
É SABER-SE VAZIO DE SENTIMENTOS
E INUNDADO POR PALAVRAS
QUE TUDO DIZEM
MAS NADA EDIFICAM.
AMARO VAZ
LIBERDADE(S)
A regra não me deixa ter ciúmes
Sequer me deixa, enfim, sentir saudades.
Contrariando essas barbaridades
Em versos vou tecendo meus queixumes.
O aroma adocicado dos perfumes
Eu sinto pelas ruas das cidades.
Por que negar-me as felicidades
De alçar meus vôos muito além dos cumes?
Viver um sentimento no plural
Será meu Deus, um pecado mortal?
Será que eu sou mesmo um pecador?
Aquele que defende essa regra
Perdão, Senhor, não sabe, sente ou prega
O que é sentir no peito um grande amor.
AMARO VAZ
CONSELHO
Não se muda uma estrutura
Que existe há tanto tempo.
Sem que se mude a CULTURA
Viva em nosso pensamento
De se trocar DENTADURA
Alguns SACOS DE CIMENTO
Pela promessa futura
De que em nosso parlamento
Haverá, sempre, lisura
Sempre bom comportamento.
Nessa troca inusitada
Seu voto perde valor.
É qual canoa furada
Cujo esperto remador
Tem cadeira assegurada
De prefeito, vereador
Ministério na esplanada
Deputado ou senador
Enquanto a conta quem paga
É você, pobre eleitor.
AMARO
Ser Poeta
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca
CONSELHO
Aos que dizem: Sou poeta, aconselho
Procurarem na leitura desses seres.
Um pedaço da emoção de seus fazeres
E levá-lo para frente de um espelho.
O fracasso irá deixar-te mais vermelho
Que o semblante de menina com prazeres.
E verás que o melhor sonho é não teres
A maldição ambígua deste selo.
Não queira ver tua marca registrada
Nos anais dos que não nos dizem nada
Cujos textos pedem sempre um corretivo.
Ser poeta, como diz Florbela Espanca
É bem mais que essa atitude que me espanta
Quando alguém põe junto ao nome o adjetivo.
AMARO VAZ
JUNHO/2013/CARANGOLA
VOARES TANTOS
Eu já voei nas asas de um cometa
Em pensamentos, eu já voei o mundo
Por muitos desencontros, o submundo
Só não voei na aflição de “tarja preta”.
Eu já voei em balões de gás inerte
Nas pipas coloridas. Era criança!
Voei muita saudade na lembrança
Nos carnavais voei feito confete.
Voei, porque voar era uma tática
A vida de quem voa, não é estática
E o sonho de quem voa é o infinito.
Voei, porque jamais eu senti medo
Porque voar é o melhor brinquedo
E além do mais, ainda, o mais bonito.
AMARO VAZ
COISAS ANTIGAS...
GAIOLAS DA VIDA
A vida que defines como intensa
Não passa de uma colcha de retalhos.
Tecida com os panos dos atalhos
Que enfeitam as ilusões de tuas crenças.
Teus olhos só vislumbram nuvens densas
Porque em tudo enxerga espantalhos.
Quem voa as emoções de muitos galhos
Gaiolas há de ter por recompensa.
No amor, se amor se planta, o mesmo amor
Há de aflorar feito uma linda flor
Se controlares tuas ousadias.
Podando as asas desses teus desejos
Fechando os lábios para outros beijos
Que o amor não cresce em muitas moradias.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
ABRIL/2011
MULHER
Depois do verbo, a luz, eis que, portanto
Que há mesmo um erro de interpretação
Se o verbo é Deus. O que seria então
Essa bonita luz cheia de encanto?
Que luz é esta que derrama um pranto
Que orienta que ensina que conduz.
Que leva, sempre, uma pesada cruz
Que nos envolve feito um velho manto?
Que gera o fruto em teu bendito ventre
Se o filho chora a mesma dor consente
Só não enxerga aquele que não quer.
Que após o verbo uma luz brilhante
Sorriu pra vida. Linda e radiante
Que Deus chamou de mãe, de luz, mulher.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
NOSSO AMOR
Somente o amor explica o amor que existe
No amor, imenso amor, que te ofereço.
Só mesmo um grande amor conhece o preço
E saberá dizer-te, porque insiste.
O amor, que é amor assim, jamais desiste
Tem nome, moradia, endereço.
É fruto alimentado pelo apreço
Não chora, não lamenta, não é triste.
Por isso o nosso amor é derradeiro
(não há quem dê um fim no amor primeiro)
É arvore frondosa, é calma e paz.
Conhece as artimanhas da saudade
Nasceu para viver na eternidade
Das maravilhas que este amor me traz.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE IMPROVISOS
O POETA
Um coração que ri, não há quem dome
Não há quem dome, um coração que chora.
Se a mente expele o que a su’alma aflora
Toda essa essência verme algum lhe tome.
Na dor alheia mata a sua fome
Em verso e prosa segue mundo afora.
Destrata o tempo, a vida desafora
Nem mesmo a louca morte lhe consome.
Que ser poeta é ter o dom divino
De intrometer nas regras do destino
Contrariando o dom da criação.
Que ser poeta é habitar o ventre
Do sentimento humano. Ser a semente!
Que aflora um verso em cada coração.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
ORAÇÃO
Se vem de ti Senhor seja bem vinda
Toda alegria. Sê bem vinda a dor
Bem vinda seja a paz interior
Bem vinda seja esta manhã tão linda.
Todas as bênçãos que hão de vir ainda
Bem-vindo seja todo este amor.
A fonte, os rios. Bem vinda seja a flor
Toda abundância. Esta fé infinda.
Bem vinda a luta. A voz absoluta
Bem vindo o suor de uma labuta
Bem vinda a vida. Tudo o que nela tem.
Muito obrigado Pai. Muito obrigado!
Mil vezes Te direi, muito obrigado
Pela misericórdia, a graça. Amém!
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
28 DE JANEIRO DE 2011
EXIGÊNCIAS
Estar junto nem sempre é estar perto
Estar ao lado. Andar de mãos dadas.
Estar presente nas mesmas gargalhadas
Mostrar os dentes num sorriso aberto.
Falo de amor. E todo amor, por certo
Exige mais que mãos entrelaçadas.
Que um passo amigo em suas caminhadas
Que há de levar-lhe ao destino incerto.
O amor é fruto, ainda, não colhido
É sentimento, ainda, indefinido
É luz que acende o contentamento.
Porque o amor é tão inconsequente
Que sempre exige conscientemente
Um andar constante do lado de dentro.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
MARÇO DE 2011
MEU TUDO
Tu és minha luz. E como luz clareia
A minha estrada, o meu atalho, a trilha.
Tu és meu mar. E como mar me rodeia
Como se eu fosse uma pequena ilha.
Tu és meu fogo. A chama que incendeia
O amor constante que em meus olhos brilha.
Tu és maravilha dentre as maravilhas
Todas as noites a minha lua cheia.
Tu és meu sol, a minha estrela, o dia
Tu és minha paz, a calma, minha alegria
Tu és a alma que em minha alma habita.
Tu és a inspiração deste poema
Tu és, portanto a mais bonita cena
Tu és todo amor que no meu peito grita.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA
MARÇO DE 2011
DESPEDIDA
Não quer o meu amor, que tu me queiras
Que o amor que tu me dás, o amor dispensa.
Cansei de tuas tantas brincadeiras
E amor de brincadeira não compensa.
As luzes da ilusão são passageiras
Naqueles que não buscam a recompensa.
O amor prefere as almas verdadeiras
Porque no amor se faz o amor que pensa.
Descomplicar o amor é complicado
Que amor que se complica é amor marcado
Para morrer sem nunca haver nascido.
Soubesse que este amor seria torto
Teríamos evitado este aborto
Bem antes deste amor ser concebido.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
07/04/2011
SILÊNCIOS
E se eu me acostumar com a sua ausência?
E se eu me acostumar a tudo isso?
E se eu me desfizer do compromisso
De amar, amar, amar, com paciência?
E se eu me acostumar com a carência?
E de repente ser, também, omisso?
Se o seu olhar perder todo o feitiço?
Será que você sabe a consequência?
Vão-se os anéis e ficarão os dedos
Os sentimentos mortos, os segredos
Irei dizê-los sem qualquer rancor.
Pois neste vai e vem, nos perderemos
Talvez bem antes. Será que não sabemos?
Que tão somente o amor constrói o amor?
AMROVAZ/CARANGOLA/MACAÉ
AMAR É...
Amar é ter acessibilidade
Ao mundo angelical de uma criança.
Plantar a paz durante a tempestade
Para colher sorrisos na bonança.
Amar é costurar fraternidade
No passo entristecido da vingança.
Tecer os argumentos da verdade
Na colcha de retalhos da esperança
Amar é semear contentamentos
Nas rugas de possíveis contratempos
Vivendo uma, constante, meninice.
Amar é ser presente o tempo inteiro
Desde o momento do olhar primeiro
Até o olhar cansado da velhice.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
18/10/2011
F Á C I L D I Z E R
Fácil dizer “te amo”
Quando as coisas vão bem...
Se a lua aparece inteira e serena
Diante de nossos olhares apaixonados.
Fácil dizer “te amo”
Quando nada tememos na vida
Se a confiança é uma conquista verdadeira
Que promete-nos uma tranqüilidade futura
E, seguramente, duradoura.
Fácil dizer “te amo”
Quando as crianças podem brincar
Sob o olhar atento de uma babá.
Se - no banco - nossa conta conjunta
Oferece-nos a oportunidade sonhada: férias na Europa...
Fácil dizer “te amo”
Quando a geladeira está cheia
E o carro à disposição na garagem
Para os tradicionais passeios
Ao clube de campo preferido.
Fácil dizer “te amo”
Quando me olhas com essa carinha de anjo
E - bem de mansinho- te despes de todas as preocupações
De um dia tumultuado - cansativo e chuvoso.
Quando o que os outros pensam e dizem sobre nós
É capaz de levar-nos a gostosas gargalhadas.
Fácil dizer “te amo”
Quando não nos interrompem os passos...
Quando não nos cegam os olhos...
Quando não nos calam a voz...
Caso contrário...
Deixa-me no meu canto e busques acomodar-te no teu canto.
Faças e deixa-me fazer e cometer as minhas próprias burrices.
Para que o nosso amor - um dia tão intenso -
TENHA PELO MENOS O DIREITO DE MORRER EM PAZ.
Amaro Bento Vaz Filho 29/10/07
DEUS
Sobre todas as coisas, eu te amo
Pai eterno. Senhor absoluto!
Nas vigílias, diárias, eu te escuto
Nos momentos de angústia, eu te chamo.
Sobre todas as coisas, eu te proclamo
Vigilante das causas, porque luto.
Sou fiel ao teu nome e resoluto
Vejo em ti o meu supremo Soberano.
Tens poder para a morte, para a cura
Tu és o Pai, o criador e a criatura
Nada existe sem a tua permissão.
Posso tudo, pois em Ti há esperança
Porque és a tempestade e a bonança
Porque és a minha luz, a salvação.
AMARO/CARANGOOLA/MACAÉ
14 de JULHO DE 2008
GAIVOTA
Voe livre gaivota
Que o espaço ainda suporta
As razões de seu voar.
Alce um voo bem bonito
Que na luz do infinito
Há uma vida de encantar.
Eu, também, sou gaivota
Que um dia teve à porta
Todos os sonhos do ar.
Mas, meu voo foi rasante
Algo assim tão degradante
Que me fez estacionar.
Voe livre, gaivota
Que o espaço não tem porta
Nem limites o seu voar.
Alce um voo bem ousado
Que a certeza do traçado
Faz perfeito o aterrissar.
Eu, também sou gaivota
Que por ter uma asa torta
Nunca esteve em evidência.
Os meus erros do passado
É melhor deixar de lado
Só guardar a experiência.
Voe livre, gaivota
Que o voar é uma porta
Que não se deve fechar.
Alce um voo alucinado
Que o espaço é um telhado
Feito para lhe abrigar.
Eu, também, sou gaivota
Que um dia teve à porta
Todos os sonhos do ar.
Mas, o medo do espaço
Fez-se forte como um laço
Que eu não soube desatar.
AMARO/BH/1977
(A)NORMALIDADE?
Somos iguais ou desiguais, depende
Do velho amor, daquele humor latente.
Se a incerteza se leva à mesa quente
Na convivência a experiência aprende
Que não se tem somente o bem, que rende
Tudo é fugaz, quando se faz ardente.
Aquela história, que na vitória sente
Que em toda luta resoluta estende.
O amor a cor do amanhecer brilhante
A comunhão toda emoção pulsante
O anoitecer, fazer valer bem mais.
O bem comum, quando em nenhum dos dois
Esconde a mágoa, a gota d’água, pois...
Um par perfeito não traz no peito os ais.
AMARO VAZ
29/06/13-CARANGOLA/MG
COLHEITA
No amor plantei sementes de esperança
Plantei sorrisos e felicidade.
Minha inocência e toda ansiedade
Na construção dos tempos de bonança.
Plantei o doce olhar de uma criança
Plantei um sol de intensa claridade.
Em cada plantação uma verdade
Na extremada força da aliança.
Plantei pensando, apenas, em nós dois
Reguei, cuidei, eu sei, para depois
Em cada lindo fruto germinado.
Sentir nossa presença costumeira
No sentimento de uma vida inteira
O amor, seu grande amor, sempre ao meu lado.
AMARO VAZ
CARANGOLA-MG
29/06/2013
Deixe eu fazer uma pergunta pra vcs;
Vcs gostam de mim pelo que eu escrevo ou porque sou meio moleque e ando sempre enchendo o saco de todo mundo? Sabe porque a pergunta? na comunidade Eu Acredito em Deus no Orkut eu raramente fazia Poesia, e mesmo uma Mega-Comunidade, (tres milhões de membros) as vezes
a Nêm Campos, dona da Comunidade dizia assim. -Vá lá Jê, agita a Comunidade.
Por isso acho que vcs gostam mais pelo meu jeito alegre. e não pelos
poemas
Isso não é novo
eu tinha 18 anos e colaborava na Revista Placar. Nos áureos tempos da revista, tiragem de 250.000 exemplares por semana. Cheia de Feras do
Jornalismo esportivo Brasileiro.Juca Kfouri, Lemir Martins,Reginaldo leme
(este comentarista da Globo) e mesmo assim eu fazia estripulias na Revista e eu era só um garotinho. Garotinho ainda sou claro, mas era mais garotinho ainda rs rs
Naquele tempo não tinha Internet, mas ainda se acha alguma coisa minha na Revista Placar na net. Mas muito pouca coisa, pois eu escrevi nos anos de 1975 e 1976. beijos
REFLEXÕES
Entenda amor, que os fios de cabelos
Quando se unem dão feição à trança.
Que está, nas emoções, a esperança
Que eriça corpo afora, os nossos pelos.
Entenda amor, que após os pesadelos
Vem sempre um lindo dia de bonança.
Que quando colocamos na balança
Somente as confusões dos desmazelos.
O peso que se leva sobre os ombros
Promove muitas quedas, muitos tombos
E o amor, o bem maior, vê-se à deriva.
Embora seja leve, livre e solto
Se perde nas ações de um mar revolto
Sem ter âncora de que mais precisa.
AMARO VAZ
CARANGOLA/JULHO/2013
PENSANDO EM NADA
É bom estar assim: Pensando em nada!
Deixando os meus tristonhos pensamentos.
Viverem as emoções desses momentos
Enquanto sonha os pés a nova estrada.
Pedaços de emoções, em mim guardadas,
Razões maiores dos alumbramentos.
Envolvem os mais bonitos sentimentos
Da vida, que preciso replantada.
À luta irei. Pretendo dar aos braços!
A força poderosa dos abraços
Se abraços encontrar pelo caminho.
Por ora, apenas, choro amargurado
A dor de ver uma rosa ao meu lado
E ter que contentar-me com o espinho.
AMARO
DÚVIDAS
Amor é força da cumplicidade
Na, plena, comunhão dos sentimentos.
Serenidade presa nos momentos
De um jogo cuja regra é a verdade.
No amor não cabe a bipolaridade
Que deixa os conscientes pensamentos.
Perdidos entre os muitos cruzamentos
Que existem na ilusão da realidade.
Se amor houver, que seja o amor sadio
Não seja o amor cativo desse estio
Não seja o amor uma interrogação.
Que o amor vivendo um sentimento assim
Caminha, com certeza, rumo ao fim
Ouvindo “sim” da voz que lhe diz “não”.
AMARO
DESPEDIDA
Não quer o meu amor, que tu me queiras
Que o amor que tu me dás, o amor dispensa.
Cansei de tuas tantas brincadeiras
E amor de brincadeira não compensa.
As luzes da ilusão são passageiras
Naqueles que não buscam a recompensa.
O amor prefere as almas verdadeiras
Porque no amor se faz o amor que pensa.
Descomplicar o amor é complicado
Que amor que se complica é amor marcado
Para morrer sem nunca haver nascido.
Soubesse que este amor seria torto
Teríamos evitado este aborto
Bem antes deste amor ser concebido.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
07/04/2011
PENSANDO EM NADA
É bom estar assim: Pensando em nada!
Deixando os meus tristonhos pensamentos.
Viverem as emoções desses momentos
Enquanto sonha os pés a nova estrada.
Pedaços de emoções, em mim guardadas,
Razões maiores dos alumbramentos.
Envolvem os mais bonitos sentimentos
Da vida, que preciso replantada.
À luta irei. Pretendo dar aos braços!
A força poderosa dos abraços
Se abraços encontrar pelo caminho.
Por ora, apenas, choro amargurado
A dor de ver uma rosa ao meu lado
E ter que contentar-me com o espinho.
AMARO
SONETOS
Fazer soneto é uma doença crônica
Cujo sintoma nos induz à prática.
De unir o português à matemática
Contando as letras de maneira irônica.
Todo soneto tem a mesma tônica
Fundamentada em uma simples tática:
Uma vogal perdida na temática
Sente por outra uma paixão platônica.
Desta união, divinamente, utópica
Nasce uma rima com feição melódica
Como se fosse uma bonita orquestra.
Que leva amores aos bailes da vida
Que leva dores às emoções sofridas
Que é morte e vida. Que é velório e festa!
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
JANEIRO 2011
EXIGÊNCIAS
Estar junto nem sempre é estar perto
Estar ao lado. Andar de mãos dadas.
Estar presente nas mesmas gargalhadas
Mostrar os dentes num sorriso aberto.
Falo de amor. E todo amor, por certo
Exige mais que mãos entrelaçadas.
Que um passo amigo em suas caminhadas
Que hão de levar-lhe ao destino incerto.
O amor é fruto, ainda, não colhido
É sentimento, ainda, indefinido
É luz que acende o contentamento.
Porque o amor é tão inconseqüente
Que sempre exige conscientemente
Um andar constante do lado de dentro.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
MARÇO DE 2011
CONFLITO
Meu muito amor, seu pouco amor soubesse
Seu pouco amor, meu muito amor teria.
Que todo amor, meu muito amor daria
Se o pouco amor, meu muito amor, quisesse.
Meu muito amor, seu pouco amor pudesse
Compreender. Meu muito amor faria
Seu pouco amor, ser mais amor um dia
Se em pouco amor, meu muito amor coubesse.
Meu muito amor, seu pouco amor não soube
Acomodar. E tanto amor não coube
Em meio às coisas deste amor tão fútil.
Meu muito amor morreu. Seu pouco amor
Como uma foto que perdeu a cor
Também morreu, pois foi amor inútil.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
ABRIL-2011
VÍCIO
Troquei o meu sorriso transparente
Pelo amarelo das lamentações.
Que pela boca entrava livremente
Para dormir nos brônquios e pulmões.
Assim tornei-me escravo, simplesmente
De um mal que me impõe limitações.
Como se me prendesse a uma corrente
Nas salas mais escuras dos porões.
O pouco ar que vem, rasga as paredes
De uma garganta que se encheu de redes
E respirar tornou-se um sacrifício.
Porque não soube em minha mocidade
Jogar no lixo aquela novidade
Porque não soube controlar meu vício.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO DE 2011
FELICIDADE
Muitas das vezes a felicidade
O bem maior que a gente sonha ter.
Deixamos escapar, sem perceber
Em meio às coisas da futilidade.
Escravizados pela vaidade
Lutamos, sempre, mais, por mais poder.
Vivendo a vida, apenas, por viver
Num mundo à mercê da crueldade.
Felicidade é mais que uma opção
(prefiro até dizer que é obrigação)
Como alcançá-la? Posso lhe dizer:
Plante na alma o fruto da verdade
Ame a si mesmo com sinceridade
Dê mais valor ao ser do que ao ter.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
OUTUBRO DE 2011
“Compre tudo o que tem preço
Conquiste o que tem valor.”
Quem prova porções de apreço
Devolve porções de amor.
Quem planta um bom sentimento
Mesmo sob um céu cinzento
Sabe a vida multicor.
AMARO VAZ
ANO NOVO?
De que vale se prender a um calendário
Ter as suas esperanças renovadas
Sendo escravo dessas contas atrasadas
Que consomem todo mês o seu salário?
Se o governo é um covil de salafrários
Nossas leis muita das vezes desastradas.
Ano novo? Vida nova? É uma piada!
Pois, que o seu amanhã é temerário.
A saúde vê-se pelos corredores
Esperando a clemência dos doutores
Tudo, tudo, sempre, igual, como era antes.
Só seu dia, caro amigo, se renova.
Ano novo? Vida nova? É uma ova!
Mais e mais será refém de assaltantes.
AMARO VAZ
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