AMAROS VAZ (2012 )


DEFINITIVAMENTE
.
Juntei porções do seu amor semente
E as plantei em meu jardim de esperas.
Reguei, cuidei, podei, colhi somente
... Triste esperança feita de quimeras.
.
Você me prende feito uma corrente
Como se, em mim, fosse viçosas heras.
A mesma flor de tantas primaveras
O mesmo mal que me deixou doente.
.
Desenho fugas, mas você me prende
Por mais que chame, você não me atende
E assim cansado de tanto implorar.
.
Velhas sementes que guardei um dia
Eu deixarei que morram, à revelia
Que o amor, também, se cansa de esperar.
.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA



SIMPLES ASSIM
Simples assim... Melhor o fim, você
Pensou em si... Sem dó, re, mi, sem fá.
Perdido o tom...Perdido o som, não há
Motivo algum.. Vou ser mais um, pra quê?
Sem o abrigo...Nenhum amigo, crê
Que possa vir...Um existir de lá.
O que foi posto... Esse desgosto, está
Na escuridão... Sua ilusão, não vê?
Simples demais... Sem muitos ais, somente
O olhar distante... A vida errante, a mente
Como se fosse uma janela aberta.
Permite o ar... O sol entrar, a vida
A insensatez... Sua altivez suicida
Desenha o fim... Em mim, na hora certa.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA


FELIZ GESTO VELHO
Ano Novo é sempre assim: Novos caminhos,
Novos sonhos, promessas de mudanças.
Renovadas as nossas esperanças
Vê-se rosas, onde antes viu-se espinhos.
Ano Novo é recomeço... É simplesmente
A certeza de que as coisas mudarão.
Seja o gesto. Seja o sonho. A visão!
Novo fruto há de vir dessa semente.
Inocente, o sentimento irmandade
Nossa alma, nossa mente, a tudo invade
De repente todo mundo é benfeitor.
Normalmente tudo dura poucos dias
Mal o mês de janeiro inicia
Voltam medo, guerra, ódio e rancor.
Carangola, 09 de janeiro de 2008





DÚVIDAS
Tu queres que eu te queira como queres
Eu quero que me queiras como quero.
E nessa indecisão outras mulheres
Perturbam o meu sono, enquanto espero.
Estou disposto a ser o que quiseres
Porque és a mulher que eu venero.
Se muitas vezes troco meus talheres
Entendas que é porque me desespero.
Eu sou de carne e osso, não percebes
Que gatos,muitas vezes, lembram lebres
E lobos são carneiros travestidos.
Quando os amores mudam nossos planos
Vivemos e traçamos desenganos
Chorando feito cães arrependidos.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JANEIRO 2012


FUTURO
Somos aquilo que a cabeça pensa
Às vezes chão e outras vezes céu.
Até que um dia vem a recompensa
Poder se lambuzar em puro mel.
Não alimente a desprezível crença
De que o futuro é feito de papel.
Tristeza entra sem pedir licença
Quando se sonha um sonho de aluguel.
Eu quero mais é que a emoção me alcance
Que o medo de amar jamais avance
Além do espaço que lhe reservei.
Se der errado a gente vê depois
Enquanto amor houver entre nós dois
De imenso amor me alimentarei.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JANEIRO 2012


AMOR ULTRAPASSADO
Falo de amor... Entenda bem, de amor
Não falo de momentos delirantes.
Como é comum nos lábios dos “ficantes”
Que a cada dia provam um sabor.
Prefiro a mesma dose de licor
A ter que tomar copos de purgantes.
O que é viver depois, sem ter um antes?
Quem há de me roubar o cobertor?
Eu sei que irá “rolar mil picuinhas”
Pessoas que são contra as conchinhas
Depois que os corpos querem descansar.
Por certo irão dizer que sou um louco
Por contentar-me, assim, com muito pouco
Não tendo uma vontade de “ficar”.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JANEIRO 2012








FELICIDADE
Muitas das vezes a felicidade
O bem maior que a gente sonha ter.
Deixamos escapar, sem perceber
Em meio às coisas da futilidade.
Escravizados pela vaidade
Lutamos, sempre, mais, por mais poder.
Vivendo a vida, apenas, por viver
Num mundo à mercê da crueldade.
Felicidade é mais que uma opção
(prefiro até dizer que é obrigação)
Como alcançá-la? Posso lhe dizer:
Plante na alma o fruto da verdade
Ame a si mesmo com sinceridade
Dê mais valor ao ser do que ao ter.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
OUTUBRO DE 2011


AMAR É...
Amar é ter acessibilidade
Ao mundo angelical de uma criança.
Plantar a paz durante a tempestade
Para colher sorrisos na bonança.
Amar é costurar fraternidade
No passo entristecido da vingança.
Tecer os argumentos da verdade
Na colcha de retalhos da esperança
Amar é semear contentamentos
Nas rugas de possíveis contratempos
Vivendo uma, constante, meninice.
Amar é ser presente o tempo inteiro
Desde o momento do olhar primeiro
Até o olhar cansado da velhice.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
18/10/2011










CONSELHO
Um simples toque assim. De vez em quando!
E sentirá nas pontas de seus dedos.
As marcas perigosas dos segredos
Que o corpo, aos poucos, vai acumulando.
Não liga se o filhote está olhando
Na vida da mulher não cabem medos.
A falta de um detalhe nos enredos
Acaba, simplesmente, lhe matando.
Conselhos. São conselhos. Nada mais...
Às vezes sou assim... Falo demais!
Conheço muito bem a minha fama.
Porém, neste momento, em meu recado.
Venho lembrar de um pequeno cuidado:
A prevenção contra o câncer de mama.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
20/12/2012



FIM DO MUNDO
Dois mil e doze. Dezembro. Vinte e um!
Será que o mundo acaba desta vez?
De onde vem tamanha estupidez?
Que mundo? Onde há mundo? Existe algum?
Vamos beber uma coca com rum
Depois curtir a nossa embriaguez.
O fim do mundo é uma insensatez
Que atinge apenas o pobre comum.
O fim do mundo para os governantes
São doses cavalares de purgantes
Que os fazem defecar o tempo inteiro.
Há séculos mantêm a mesma prática
De usarem contra o povo a velha tática
Cagar e andar para o nosso dinheiro.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
20/12/2012



LÁGRIMAS
Choram “Clarisses” e Choram “Marias”
Por entenderem que está tudo errado.
Choram, porque as coisas do passado.
Ainda se repetem em nossos dias.
Choram, porque depois das anistias
O crime se tornou organizado.
Choram ao ver aquele anistiado
Passando os dias nas delegacias.
Choram silenciosas. Ninguém vê!
Choram saudosas pelo lindo PT
Que elas cantavam na Praça da Sé.
Choram, um tanto assim, arrependidas.
Por perceberem no fim de suas vidas
Que está morta aquela antiga fé.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
20/12/2012
MORDAÇA
Não me obrigue a ter sonhos pequeninos
Meu passo sonha estrada diferente.
Sou como as gotas d’água da nascente
Que, aos poucos, fazem rios cristalinos.
Em pensamento invejo os peregrinos
Que vão tocando a vida, sempre, em frente.
Até as enxurradas de uma enchente
Provocam em mim estranhos desatinos.
Eu sonho alçar além dos meus limites
Não vê que são teimosos seus palpites?
Não vê quão perigosos são os medos?
Dentro de mim carrego um universo
Ao menos na leveza do meu verso
Permita-me desvendar os meus segredos.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
20/12/2012



CRISE DE ABSTINÊNCIA
De tanto acreditar que o amor é tudo
De tanto acreditar que o amor é vida.
Sou vítima constante de um verdugo
Que me vê como presa preferida.
Eu sei que irão dizer: Por que me iludo?
Respondo: Eu amo muito essa bebida!
Sem ela o meu viver é, sobretudo.
Um beco sem entrada e sem saída.
Somente entenderá o meu soneto
Quem sabe apreciar um grande espeto
Girando triunfal na churrasqueira.
Deitado simplesmente numa rede
Levanta-se. Por que é grande a sede!
E segue em direção à geladeira.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
20/12/2012


PROMESSAS
Pode levar os bens que acumulamos
O carro. A casa. O ódio. As discordâncias!
Pode levar o gado das estâncias
Os pastos onde nos alimentamos.
Deixe comigo a história desses anos
Vividos ao sabor das arrogâncias.
Os filhos pra que vivam as infâncias
Que um dia por capricho lhes negamos.
Eu partirei sem eiras e sem beiras
Com os três filhos dessas brincadeiras
Que nada devem e agora irão pagar.
Pelas loucuras que nós dois fizemos
Por não cumprirmos o que prometemos
Naquela noite diante de um altar.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
20/12/2012



PROMESSAS
Pode levar os bens que acumulamos
O carro. A casa. O ódio. As discordâncias!
Pode levar o gado das estâncias
Os pastos onde nos alimentamos.
Deixe comigo a história desses anos
Vividos ao sabor das arrogâncias.
Os filhos pra que vivam as infâncias
Que um dia por capricho lhes negamos.
Eu partirei sem eiras e sem beiras
Com os três filhos dessas brincadeiras
Que nada devem e agora irão pagar.
Pelas loucuras que nós dois fizemos
Por não cumprirmos o que prometemos
Naquela noite diante de um altar.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
20/12/2012
PROMESSAS
Eu quero crer no amor sem ter medidas
Sem argumentos falsos. Sem discórdias.
Não quero o amor repleto de paródias
Que cantam as tristonhas despedidas.
Eu quero as leis do amor esclarecidas
Verdades nas verdades. Sem mixórdias!
Sem vãs promessas. Sem misericórdias
Sem lágrimas. Feições entristecidas!
O amor, simples assim, sem argumentos.
Escusos. Onde os nossos sentimentos
Mirando sempre a mesma estrela guia.
Se faça eterno amor, mesmo diante.
Das nossas diferenças. E se encante
Na doença, saúde, tristeza, alegria.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
20/12/2012



MORDAÇA
Não me obrigue a ter sonhos pequeninos
Meu passo sonha estrada diferente.
Sou como as gotas d’água da nascente
Que, aos poucos, fazem rios cristalinos.
Em pensamento invejo os peregrinos
Que vão tocando a vida, sempre, em frente.
Até as enxurradas de uma enchente
Provocam em mim estranhos desatinos.
Eu sonho alçar além dos meus limites
Não vê que são teimosos seus palpites?
Não vê quão perigosos são os medos?
Dentro de mim carrego um universo
Ao menos na leveza do meu verso
Permita-me desvendar os meus segredos.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
20/12/2012







SEM CENSURA
Não vou metrificar meu sentimento
Para falar de amor em seus ouvidos.
Concedo aos escritores desvalidos.
A honra de endeusar esse momento.
O amor longe da rima é pensamento
Que expulsa velhos sonhos reprimidos.
Exaltam, um por um, nossos sentidos.
Para fazer da vida um imenso templo.
Eu troco as belas rimas de um soneto
Para viver contigo esse dueto
Para morrer perdido em teus abraços.
Sem regras pra encurtar as nossas farras
Sem medo de me dar. Sem as amarras!
Rimando a perfeição de muitos passos.
AMARO vaz


APRENDIZADO
Ensina-me a entender que o pensamento
Permite-me viagens fabulosas.
Depois me ensina o lado bom da prosa
Palavras que expressem o sentimento.
Ensina-me a entender a voz do tempo
A conversar com os lírios e as rosas.
A compreender a lua tão fogosa
Ensina-me o amor sempre a contento.
Ensina-me a amar... E além de tudo
Ensina-me que o amor é sobretudo
O bem maior que a vida tem pra dar.
Que eu prometo no fim do aprendizado.
Falar de amor. E ao me sentir amado!
Amar. Amar. Amar. Amar. Amar!
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA




COISAS DA SAUDADE
Amanheci disperso, displicente
Distante dos meus hábitos normais.
Não quis ler as noticias dos jornais.
Não quis ver nada, que lembrasse a gente.
Uma por uma eu pus em minha frente
As coisas dos meus dias mais banais.
Algumas pareciam naturais
Já outras pareciam bem diferentes.
Sei que o passado deixa em sua estrada
Desenhos obscuros, um quase nada
Se a mente dorme à luz do esquecimento.
Assim amanheci: longe de mim!
Quando assustei, estava perto o fim
Só de lembranças vivia o sentimento.
Amaro Vaz


SAUDADE
A ausência, quando quer estar presente
Caminha sobre os trilhos da maldade.
Usando a cédula de identidade
De um sentimento triste e deprimente.
Seu verdadeiro nome é saudade
E dói. E dói. E dói terrivelmente!
Não há quem se vê livre simplesmente
Das garras dessa louca inconsequente.
Adora complicar os sentimentos
Pintar de negro os nossos bons momentos
Fazer valer sua cruel vingança.
Neste momento de pura agonia
Assume a identidade da alegria
Usando o falso nome de ESPERANÇA.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA



SAUDADE
A ausência, quando quer estar presente
Caminha sobre os trilhos da maldade.
Usando a cédula de identidade
De um sentimento triste e deprimente.
Seu verdadeiro nome é saudade
E dói. E dói. E dói terrivelmente!
Não há quem se vê livre simplesmente
Das garras dessa louca inconsequente.
Adora complicar os sentimentos
Pintar de negro os nossos bons momentos
Fazer valer sua cruel vingança.
Neste momento de pura agonia
Assume a identidade da alegria
Usando o falso nome de ESPERANÇA.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
ORAÇÃO
Não vive a vida aquele que despreza
As coisas boas que esta vida tem.
Quem antes mesmo do final da reza
Sente desejo de dizer amem.
Não vive a vida aquele que represa
Dentro do coração mágoas de alguém.
Quando se ama não se menospreza
O mal se paga com porções de bem.
Nem tanto ao mar nem tanto a terra, eu sei...
Nem tanto súdito, nem tanto rei...
Nem muito calmo e nem, portanto arisco.
Que é perdoando que se é perdoado
Que é consolando que se é consolado
Como na oração de São Francisco.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA


MENSALINAS DIFERENÇAS
Significado de Discernimento
s.m. Ação ou faculdade de discernir.
Juízo, entendimento, critério.
O QUE É “DIRCEURNIMENTO”?
VEJA O QUE LI NO AURÉLIO:
É USAR NO JULGAMENTO
“O MESMO JUÍZO E CRITÉRIO”.
BARBOSINHA... FALA SÉRIO!
HOUVE O MESMO TRATAMENTO?
PRENDEM-SE MARCOS VALÉRIO
E O RESTO DO REGIMENTO?
DOIS PESOS? DUAS MEDIDAS?
SÃO ATITUDES SUICIDAS
NÃO FIZERAM O MESMO MAL?
POR QUE TANTA DIFERENÇA?
NÃO DERRUBE A MINHA CRENÇA
NO SUPREMO FEDERAL
AMARO VAZ
CARANGOLA/MACAÉ


MENSALINAS DIFERENÇAS
Significado de Discernimento
s.m. Ação ou faculdade de discernir.
Juízo, entendimento, critério.
O QUE É “DIRCEURNIMENTO”?
VEJA O QUE LI NO AURÉLIO:
É USAR NO JULGAMENTO
“O MESMO JUÍZO E CRITÉRIO”.
BARBOSINHA... FALA SÉRIO!
HOUVE O MESMO TRATAMENTO?
PRENDEM-SE MARCOS VALÉRIO
E O RESTO DO REGIMENTO?
DOIS PESOS? DUAS MEDIDAS?
SÃO ATITUDES SUICIDAS
NÃO FIZERAM O MESMO MAL?
POR QUE TANTA DIFERENÇA?
NÃO DERRUBE A MINHA CRENÇA
NO SUPREMO FEDERAL
AMARO VAZ
CARANGOLA/MACAÉ


LAÇOS ETERNOS
Quando digo que te amo. Não te amo...
Do jeito tão comum entre os casais.
Que vivem balançando desiguais
Como pingentes num pequeno ramo.
Te amo nos poemas que declamo
Na voz dos passarinhos nos quintais.
Nos desencontros sempre pontuais
Quando em meus devaneios eu te chamo.
Não sei te amar assim de outra maneira
Porque no meu amor a brincadeira
De amor agora e desamor depois.
É o mesmo que escalar uma parede.
Dormir abraçadinhos numa rede
E despertar distante de nós dois.
AMARO VAZ

https://www.facebook.com/amaro.vaz.7?locale=pt_BR



M U L H E R E S V I R T U A I S
( Uma noite na internet )
Amaro Vaz
Poesia classificada em primeira lugar no Concurso Nacional do SESI - CARANGOLA - 1998
Mulheres carentes
de afagos e afetos
que buscam na tela
amores ardentes
amigos distantes
conversa “fiada”
possíveis amantes
à noite - acordadas -
pensando no sonho
que vai dar em nada.
Mulheres presentes
na vida e trabalho
que buscam na tela
passarem o tempo
um papo tranquilo
nem sempre “aquilo“
que trocam receitas
de auto-sustento
são donas do tempo
de uma vida agitada.
Mulheres ausentes
da vida e trabalho
que buscam na tela
parceiros vazios
o tempo, não contam
só contam os seus “cíos”
procuram os amigos
que sempre aparecem
com os mesmos apelidos
de noites passadas.
Mulheres carentes
presentes ou ausentes
que buscam na tela
os mesmos prazeres
conversa “fiada“
os sonhos dos filhos
trabalho e cansaço
notícias da vida
faz bem essa brisa
à vida agitada.
Mulheres afloram
em todos os cantos
dos cantos da tela
lançando sorrisos
num flerte sutil
mandando recados
pequenos avisos
brigar ? se preciso!...
à luta mulheres
que a hora é chegada.

TRISTE AMOR
É triste o amor
Feito de almas silenciosas.
Feito de ausências de corpos
E constantes presenças de copos
Nas festas de todos os loucos caprichos
Que a vida, lá fora, oferece.
É triste o amor, que se despe
De todas as velhas preces...
Amor de continuadas pressas
Que faz distantes as promessas de que seria eterno.
É triste o amor, que se faz afoito.
Que sobrevive do coito
Do encontro de corpos presentes
Em inconsequentes devaneios noturnos.
É triste o amor que gera conflitos
Que estrangula os gritos
Que silencia o futuro.
Para morrer lentamente.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
2012
MEU TUDO
Tu és minha luz. E como luz clareia
A minha estrada, o meu atalho, a trilha.
Tu és meu mar. E como mar me rodeia
Como se eu fosse uma pequena ilha.
Tu és meu fogo. A chama que incendeia
O amor constante que em meus olhos brilha.
Tu és maravilha dentre as maravilhas
Todas as noites a minha lua cheia.
Tu és meu sol, a minha estrela, o dia
Tu és minha paz, a calma, minha alegria
Tu és a alma que em minha alma habita.
Tu és a inspiração deste poema
Tu és, portanto a mais bonita cena
Tu és todo amor que no meu peito grita.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA
MARÇO DE 2011


MULHER
Depois do verbo, a luz, eis que, portanto
Cejo que há erros de interpretação.
Se o verbo é Deus. O que seria então
Essa bonita luz cheia de encanto?
Que luz é esta, que derrama um pranto
Que orienta. Que ensina. Que conduz.
Que leva, sempre, uma pesada cruz
Que nos envolve feito um velho manto?
Que gera o fruto em teu bendito ventre?
Se o filho chora a mesma dor consente?
Só não enxerga aquele que não quer.
Que após o verbo uma luz brilhante
Sorriu pra vida. Linda e radiante
Que Deus chamou de mãe, de amor, mulher.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
DESPEDIDA
Não quer o meu amor, que tu me queiras
Que o amor que tu me dás, o amor dispensa.
Cansei de tuas tantas brincadeiras
E amor de brincadeira não compensa.
As luzes da ilusão são passageiras
Naqueles que não buscam a recompensa.
O amor prefere as almas verdadeiras
Porque no amor se faz o amor que pensa.
Descomplicar o amor é complicado
Que amor que se complica é amor marcado
Para morrer sem nunca haver nascido.
Soubesse que este amor seria torto
Teríamos evitado este aborto
Bem antes deste amor ser concebido.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
07/04/2011
TODOS
Não coube na linguagem de Pessoa
Apenas a pessoa de Fernando.
Assim ele se fez: multiplicando...
Os passageiros dentro da canoa.
Às vezes se sentava lá na proa
Enquanto os outros “eus” iam remando.
As águas sobre o barco borrifando
Gotículas de versos, qual garoa.
Assim surgiram seus heteronôminos
Fernando veio a ter muitos sinônimos
Tamanha a sua multiplicidade.
Deixou-nos por herança o sentimento
Toda ternura, pleno alumbramento
Um versejar de muita qualidade.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA






REFLEXÕES
Não sonho ver meus versos macarrônicos
Manchando as brancas páginas de um livro.
Da fama alucinada eu sempre esquivo
Que tentem essa façanha os daltônicos.
Melhor deixar meus versos desarmônicos
Jogados nas gavetas de um arquivo.
Pra não manchar meu nome o adjetivo
Sequer em meus momentos mais lacônicos.
Ser poeta? Nunca fui? Nunca serei?
Sou súdito... Não sonho ser o rei!
Jamais ousei viver em um castelo.
A falta de humildade é um perigo
Faz o joio se julgar melhor que o trigo
Faz os porcos esnobarem o farelo.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SETEMBRO 2012





VIDA
Nascer. Crescer. Envelhecer. Morrer
Enquanto a vida brinca no intervalo.
E assim brincando muito de viver
A cada dia um novo sonho embalo.
Algumas vezes o vezes o verbo sofrer
Do nada, assim, me vem. E num estalo,
As alegrias eu vejo escorrer
Uma por uma pelos vãos do ralo.
Acostumei-me a costurar pedaços
Unindo meus sucessos aos fracassos
Na colcha de retalhos da memória.
Para que um dia... No final da vida,
Olhando o mundo de cabeça erguida
Possa contar uma bonita história.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
AGOSTO 2012





DEVANEIOS

Talvez em mim. Talvez em mim. Talvez!
Nas entrelinhas. Minhas reticências.
Intrépidas. Ante a tua rispidez
Enlouqueceram as tuas eloqüências.

Talvez em mim. Talvez em mim. Talvez!
Nas entrelinhas. As maledicências!
Incrédulas. Afloram a timidez!
Na aridez das tuas transparências.

O que era ponte. De repente é muro!
O que era claro. De repente escuro!
E tudo isso, conseqüentemente.

Feito uma colcha de muitos retalhos
Pelas veredas, sendas e atalhos
Em mim viveu sem nunca estar presente.

AMARO VAZ 
Ver menos





EXIGÊNCIAS
Estar junto nem sempre é estar perto
Estar ao lado. Andar de mãos dadas.
Estar presente nas mesmas gargalhadas
Mostrar os dentes num sorriso aberto.
Falo de amor. E todo amor, por certo
Exige mais que mãos entrelaçadas.
Que um passo amigo em suas caminhadas
Que hão de levar-lhe ao destino incerto.
O amor é fruto, ainda, não colhido
É sentimento, ainda, indefinido
É luz que acende o contentamento.
Porque o amor é tão inconseqüente
Que sempre exige conscientemente
Um andar constante do lado de dentro.
AMARO VAZ


ESCOLHAS
Tudo o que sei de mim não saberia
Se dores tantas não me desse a vida.
Se eu não crescesse no sabor da lida
Correndo atrás do pão de cada dia.
Se eu não soubesse a grande alegria
De um pai presente. Minha mãe querida!
Uma família sempre muito unida
A fé constante como garantia.
Cedo aprendi: Em nossas caminhadas
O amor e o ódio seguem de mãos dadas
Por isso poucas vezes fracassei...
Deus me ajudou a costurar meus planos
Por isso eu chego aos meus sessenta anos
Colhendo o amor que sempre alimentei.
Amaro Vaz


CAMISA DE FORÇA
Queria em teu talvez, talvez quem sabe
Saber se o teu talvez, talvez quisesse.
Talvez me dizer algo que dissesse
Que em teu talvez, o amor, talvez, acabe.
Tanto talvez no amor, sei que não cabe
Porque tanto talvez ninguém merece.
Soubesse o teu talvez, quanto aborrece
O meu, talvez, amor que não se abre.
Talvez te amasse mais, talvez...talvez!
Tivesse o teu talvez a sensatez
De um sim, um não, assim inesperados.
Talvez o meu talvez, no teu talvez
Talvez tivesse enfim a lucidez
De andarem, enfim, talvez de braços dados.
AMARO VAZ








RECOMEÇO
Sossega coração desesperado
Não vê que o tempo é velho conhecido?
Nem tudo, companheiro, está perdido.
Enquanto houver um sonho não sonhado.
Por que guardar entulhos do passado?
O filme tantas vezes repetido
O disco na vitrola esquecido
Lembranças de um amor ultrapassado?
Portas, janelas? Deixem-nas abertas.
Respire o ar das coisas mais incertas
O recomeço é como um tiro a esmo.
Só não esqueça velho companheiro
Farinha pouca? O seu pirão primeiro...
Antes de amar a alguém ame a si mesmo.
Amaro Vaz



ESPERAS
Se nada sei de mim, como saber...
Das coisas de nós dois? Eis a questão...
O tempo, às vezes, muda a direção...
Do vento. Para o novo acontecer.
Nem mesmo as imprudências do querer
Nem mesma a mais sensível emoção.
Nem mesmo o mais prudente coração
Consegue esses vazios conhecer.
Se o jeito é esperar tranquilamente
O germinar seguro da semente
Até que possa enfim colher as flores
Que mais posso fazer? Enquanto espera...
Minha alma vai regando a primavera
Com a lágrima cruel das minhas dores.
AMARO VAZ

MEUS AVÓS
Estranho ver alguém comemorando
O dia dedicado aos seus avós.
O que dizer? Se nunca ouvi a voz
Daqueles que vocês estão falando.
Meu pai perdeu seus pais, ainda, quando,
Sequer sabia desatar os nós.
Cresceu entre as irmãs. Eram tão sós...
Que muito cedo estavam trabalhando.
Do lado de mamãe, também, não coube...
Em mim essa delícia. Nunca soube
Sequer saber o gosto desse mel.
De uma noite apenas em suas casas
Porque bem cedo eles bateram as asas.
E foram ainda bem jovens para o céu.
Amaro Vaz
Julho/26/Macaé/Carangola


NOSSO AMOR
Feito de distâncias
O amor que nos une
Separa.
O amor que nos prende
Liberta
O amor que nos vem
se ausenta.
E mesmo distante
Laça
E mesmo separado
Une
E mesmo liberto
Prende.
E mesmo distante
Acontece.
Amaro Vaz


PONTO
E de repente aquela inspiração
Presente em cada traço dos meus textos.
Eu vejo acumuladas de pretextos
Em meio às moscas vivas de um lixão.
A mente antes cativa da ilusão
Desfez os laços dos cruéis cabrestos.
Plantando sonhos em novos pretextos
Colhe sorrisos da nova emoção.
É bom sentir meu verso livre e solto
Sem as amarras de um mar revolto
Que em noites de intensas tempestades.
Com suas ondas sempre gigantescas
Trazia-me as cenas mais dantescas
Mentiras de mãos dadas com verdades.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA


Punhais humanos vão trançando abraços
Mentiras tolas criando verdades.
Falsos amores estreitando os laços
Das emoções feitas de falsidades.
Alguns divulgam seus muitos fracassos
Outros propagam suas qualidades.
E no divã vejo faltar espaços
Para agregar essas disparidades.
Se para muitos é um grande vício
Para bem poucos muito mais que ofício
Assim caminham as redes sociais.
Uma maneira muito inteligente
De unir num mesmo espaço simplesmente
Milhares de pessoas desiguais.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA

























COLCHA DE RETALHOS
A vida é uma colcha de retalhos
Onde botamos no lugar dos panos
Nossos sucessos, nossos desenganos.
Grandes caminhos, pequenos atalhos.
Frutos colhidos de variados galhos
Os bons projetos, pequeninos planos.
O que aprendemos com as perdas e danos
As sobras de constantes atos falhos.
As amarguras que a gente entulha
Serão usadas no lugar da agulha
A boa linha é uma questão de sorte.
Alguns preferem as linhas do tempo
Que além de darem um bom acabamento
Seguem tecendo a colcha até a morte.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2012


DEFINITIVAMENTE
.
Juntei porções do seu amor semente
E as plantei em meu jardim de esperas.
Reguei, cuidei, podei, colhi somente
... Triste esperança feita de quimeras.
.
Você me prende feito uma corrente
Como se, em mim, fosse viçosas heras.
A mesma flor de tantas primaveras
O mesmo mal que me deixou doente.
.
Desenho fugas, mas você me prende
Por mais que chame, você não me atende
E assim cansado de tanto implorar.
.
Velhas sementes que guardei um dia
Eu deixarei que morram, à revelia
Que o amor, também, se cansa de esperar.
.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA













Momentos
Há! Solidão
parecendo cordas de aço
tocando minhas ausências
sem dar alívio ao cansaço.
Saudade de tantas coisas
Que vão refazendo meus sonhos
Em noites de insônia e desejos
onde caminho tão só.
Os momentos que foram tão nossos
Hoje os vejo distantes.
Por mais que estenda os braços
Não chegarei a teu alcance.
O que fazer com todas essas coisas?
Com os pequeninos quadros pintados
Nas paredes das minhas imaginações mais insanas?
A quem recorrer nos momentos em que os desejos afloram?
Como explicar ao meu corpo a ausência do abraço apertado?
Ah! Saudade traiçoeira...
Ah! Sensação de que tudo ficou pela metade...
Ah! Pequenino e maravilhoso sonho...
Venham...
Minh’alma estendida sobre o chão das manhãs sonhadas
Ainda respira, acredita, espera...
Venham!...
Angel e Amaro Vaz



DEFINITIVAMENTE
Nada de mim. Nada de nós sobrou!
Nenhuma lágrima. Nem, ao menos, traços.
Sequer soubemos desatar os laços
Da solidão que um dia nos laçou.
Nem mesmo o filho que este amor gerou
Nem mesmo a estrada que sustentou os passos.
Nem mesmo a força dos muitos abraços
Nada de nós. Nada de mim sobrou!
Foi-se a semente. O consequente fruto!
Foi-se a palavra. Nada mais escuto!
E até a lua se fez arrogante.
Pedindo ao sol, que, aos poucos, se afastasse
Temendo que, por ela, me apaixonasse
Dali pra frente se tornou minguante.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA



METADES
Para mim
Meia palavra não basta.
Um rosto pela metade
Também me causa o mesmo efeito.
Defendo a verdade inteira
(incondicionalmente inteira)
O que seria de uma tela
Sem a tinta, o pincel, a imaginação?
O que seria do verso sem as palavras
Sem o sentimento, sem a inspiração?
Sou, literalmente, implacável com os mentirosos.
Sou, radicalmente, intolerante com os falsos.
Tenho, apenas, um rosto
Um olhar, um sentimento, um pensamento.
Para mim não existe real e virtual
Separados por uma tela iluminada
Pela luz do que me é distante.
Não amo pela metade
Não sou metade amigo, metade inimigo
Se rio ou se choro. Se me fecho ou me exponho.
A cada sentimento me entrego
No seu tempo, no seu momento.
Para mim meia palavra castra
Meia verdade? Basta!
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
19 DE FEVEREIRO DE 2011
DEVANEIOS
Talvez em mim. Talvez em mim. Talvez!
Nas entrelinhas. Minhas reticências.
Intrépidas. Ante a tua rispidez
Enlouqueceram as tuas eloqüências.
Talvez em mim. Talvez em mim. Talvez!
Nas entrelinhas. As maledicências!
Incrédulas. Afloram a timidez!
Na aridez das tuas transparências.
O que era ponte. De repente é muro!
O que era claro. De repente escuro!
E tudo isso, conseqüentemente.
Feito uma colcha de muitos retalhos
Pelas veredas, sendas e atalhos
Em mim viveu sem nunca estar presente.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
EXIGÊNCIAS
Estar junto nem sempre é estar perto
Estar ao lado. Andar de mãos dadas.
Estar presente nas mesmas gargalhadas
Mostrar os dentes num sorriso aberto.
Falo de amor. E todo amor, por certo
Exige mais que mãos entrelaçadas.
Que um passo amigo em suas caminhadas
Que hão de levar-lhe ao destino incerto.
O amor é fruto, ainda, não colhido
É sentimento, ainda, indefinido
É luz que acende o contentamento.
Porque o amor é tão inconseqüente
Que sempre exige conscientemente
Um andar constante do lado de dentro.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA




COTIDIANO
As aranhas tecem
Teias amor
Teias armadilhas
Teias pavor.
Os homens fabricam
Armas aranhas
Armas secretas
Armas pavor.
O ódio cresce
Armas malditas
Aranhas armadilhas
Homem pavor.
AMARO VAZ/BELO HORIZONTE/1979


MEU TUDO
Tu és minha luz. E como luz clareia
A minha estrada, o meu atalho, a trilha.
Tu és meu mar. E como mar me rodeia
Como se eu fosse uma pequena ilha.
Tu és meu fogo. A chama que incendeia
O amor constante que em meus olhos brilha.
Tu és maravilha dentre as maravilhas
Todas as noites a minha lua cheia.
Tu és meu sol, a minha estrela, o dia
Tu és minha paz, a calma, minha alegria
Tu és a alma que em minha alma habita.
Tu és a inspiração deste poema
Tu és, portanto a mais bonita cena
Tu és todo amor que no meu peito grita.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA
JÁ É UM DOS MEUS ESCRITORES FAVORITOS Amaro Vaz


AMOR DE POETA
Se em seus versos descansa uma saudade
Na saudade navega o sentimento
Que naufraga no mar do sofrimento
Quando as águas da dor seu peito invade.
Se nos versos aflora uma verdade
Na verdade ele faz um novo tempo.
Que navega sereno o esquecimento
Quando a brisa, enfim, a alma invade.
Mesmo sendo o poeta um fingidor
Mesmo sendo uma farsa a sua dor
Mesmo sendo mentira o que declama.
É poeta, portanto solitário...
Quando em noites vazias um calvário
Ele vive. Com saudade de quem ama.!
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA


MEU TUDO
Tu és minha luz. E como luz clareia
A minha estrada, o meu atalho, a trilha.
Tu és meu mar. E como mar me rodeia
Como se eu fosse uma pequena ilha.
Tu és meu fogo. A chama que incendeia
O amor constante que em meus olhos brilha.
Tu és maravilha dentre as maravilhas
Todas as noites a minha lua cheia.
Tu és meu sol, a minha estrela, o dia
Tu és minha paz, a calma, minha alegria
Tu és a alma que em minha alma habita.
Tu és a inspiração deste poema
Tu és, portanto a mais bonita cena
Tu és todo amor que no meu peito grita.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA
DESPEDIDA
Foi sob a sua sombra cajueiro
Que nós vivemos muitos bons momentos.
Que semeamos nossos sentimentos
Que descobrimos nosso amor primeiro.
Por isso...em sua sombra companheiro
-depois de muitos anos, muito tempo-
Debruço agora os meus tristes lamentos
Que o peito lembra um imenso formigueiro.
Você testemunhou nossos encontros
-enquanto a morte com seus desencontros-
Achou de preparar a despedida.
Por que, meu Deus, tamanha insensatez
Trazer-me pra chorar a viuvez
Na mesma casa onde eu sorria à vida?
AMARO/CARANGOLA/MACAÉ


SILÊNCIOS
E se eu me acostumar com a sua ausência?
E se eu me acostumar a tudo isso?
E se eu me desfizer do compromisso
De amar, amar, amar, com paciência?
E se eu me acostumar com a carência?
E de repente ser, também, omisso?
Se o seu olhar perder todo o feitiço?
Será que você sabe a consequência?
Vão-se os anéis e ficarão os dedos
Os sentimentos mortos, os segredos
Irei dizê-los sem qualquer rancor.
Pois neste vai e vem, nos perderemos
Talvez bem antes. Será que não sabemos?
Que tão somente o amor constrói o amor?
AMROVAZ/CARANGOLA/MACAÉ
DESPEDIDA
Não quer o meu amor, que tu me queiras
Que o amor que tu me dás, o amor dispensa.
Cansei de tuas tantas brincadeiras
E amor de brincadeira não compensa.
As luzes da ilusão são passageiras
Naqueles que não buscam a recompensa.
O amor prefere as almas verdadeiras
Porque no amor se faz o amor que pensa.
Descomplicar o amor é complicado
Que amor que se complica é amor marcado
Para morrer sem nunca haver nascido.
Soubesse que este amor seria torto
Teríamos evitado este aborto
Bem antes deste amor ser concebido.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA

MESMO
Mesmo que o corpo padeça
-por mais triste me pareça-
Eu prefiro me esconder.
Quero esconder-me do mundo
-quero ser sempre o segundo-
Nas coisas do sofrimento.
Mesmo que a mente mereça
-por mais triste me pareça-
Eu prefiro lhe esquecer.
Quero esquecer o seu rosto
-para apagar o desgosto-
Nas coisas do pensamento.
Mesmo que o mal aconteça
-antes até que ele cresça-
Eu prefiro me conter.
Conter, ainda, o meu pranto
-pra não morrer de espanto-
Nas coisas do esquecimento.
BH, 1980


SIMBIOSE
Reuni palavras
e me tornei poeta.
Reuni atos simples
e me tornei você.
Por hoje um poema...
Por ora você...
Agrupei poemas
e atos simples
ao me tornar amor.
Hoje um amor-poema
Hoje um amor-você.
BH, 1977
CONFLITO
Meu muito amor, seu pouco amor soubesse
Seu pouco amor, meu muito amor teria.
Que todo amor, meu muito amor daria
Se o pouco amor, meu muito amor, quisesse.
Meu muito amor, seu pouco amor pudesse
Compreender. Meu muito amor faria
Seu pouco amor, ser mais amor um dia
Se em pouco amor, meu muito amor coubesse.
Meu muito amor, seu pouco amor não soube
Acomodar. E tanto amor não coube
Em meio às coisas deste amor tão fútil.
Meu muito amor morreu. Seu pouco amor
Como uma foto que perdeu a cor
Também morreu, pois foi amor inútil.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
ABRIL-2011

GAIOLAS DA VIDA
A vida que defines como intensa
Não passa de uma colcha de retalhos.
Tecida com os panos dos atalhos
Que enfeitam as ilusões de tuas crenças.
Teus olhos só vislumbram nuvens densas
Porque em tudo enxerga espantalhos.
Quem voa as emoções de muitos galhos
Gaiolas há de ter por recompensa.
No amor, se amor se planta, o mesmo amor
Há de aflorar feito uma linda flor
Se controlares tuas ousadias.
Podando as asas desses teus desejos
Fechando os lábios para outros beijos
Que o amor não cresce em muitas moradias.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA
ABRIL/2011


MULHER
Depois do verbo, a luz, eis que, portanto
Há mesmo um erro de interpretação.
Se o verbo é Deus. O que seria então
Essa bonita luz cheia de encanto?
Que luz é esta que derrama um pranto
Que orienta que ensina que conduz.
Que leva, sempre, uma pesada cruz
Que nos envolve feito um velho manto?
Que gera o fruto em teu bendito ventre?
Se o filho chora a mesma dor consente?
Só não enxerga aquele que não quer.
Que após o verbo uma luz brilhante
Sorriu pra vida. Linda e radiante
Que Deus chamou de mãe, de luz, mulher.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA


FANTASMAS
A vida é simples... Nós que a complicamos
Ao nos sentirmos nos escuros breus
Tão pequeninos feitos pigmeus
Se algum problema estranho defrontamos.
Muitas das vezes nos acovardamos
Porque perdemos toda fé em Deus.
Usando a carapuça dos ateus
Em meio a precipícios caminhamos.
O joio e o trigo ocupam a mesma tulha
Na mente uma centelha, uma fagulha
Servindo de alimento ao fogo atroz.
Que aos poucos vai queimando os sentimentos
Em cujas cinzas crescem opulentos
Muitos fantasmas que se escondem em nós.
AMARO VAZ/MACAÉ/CARANGOLA

FELICIDADE
Muitas das vezes a felicidade
O bem maior que a gente sonha ter.
Deixamos escapar, sem perceber
Em meio às coisas da futilidade.
Escravizados pela vaidade
Lutamos, sempre, mais, por mais poder.
Vivendo a vida, apenas, por viver
Num mundo à mercê da crueldade.
Felicidade é mais que uma opção
(prefiro até dizer que é obrigação)
Como alcançá-la? Posso lhe dizer:
Plante na alma o fruto da verdade
Ame a si mesmo com sinceridade
Dê mais valor ao ser do que ao ter.
AMARO VAZ
AMAR É...
Amar é ter acessibilidade
Ao mundo angelical de uma criança.
Plantar a paz durante a tempestade
Para colher sorrisos na bonança.
Amar é costurar fraternidade
No passo entristecido da vingança.
Tecer os argumentos da verdade
Na colcha de retalhos da esperança
Amar é semear contentamentos
Nas rugas de possíveis contratempos
Vivendo uma, constante, meninice.
Amar é ser presente o tempo inteiro
Desde o momento do olhar primeiro
Até o olhar cansado da velhice.
AMARO VAZ


DOIS EM UM
Duas mentes. Duas almas. Dois problemas
Dois rios. Dois riachos. Duas fontes.
Dois filmes. Dois cenários. Duas cenas
Dois infernos. Dois céus. Dois horizontes.
Dois circos. Dois teatros. Dois cinemas
Duas paredes. Dois muros. Duas pontes.
Duas canções. Dois textos. Dois poemas
Duas vogais e duas consoantes.
Dois atalhos. Dois caminhos. Duas sendas.
Dois silêncios. Dois gritos. Dois gemidos.
Duas visões. Dois olhos. Uma cor!
Duas fábulas. Dois milagres. Duas lendas.
Dois corpos. Dois prazeres. Dois sentidos.
Duas buscas. Dois quereres. Fez-se o amor!
AMARO VAZ


FIM
As lágrimas perdidas nas ausências
Pensando que nas águas de outros rios.
Pudessem navegar os seus vazios
As suas mais constantes insistências.
Vestidas das mais puras inocências
Do tempo em que viviam seus estios.
Usaram como trilha dois pavios
Onde queimaram todas as carências.
E assim com outras águas misturadas
Percebem que são lágrimas passadas
Que não mais voltarão ao velho ninho.
Nós somos essas lágrimas perdidas
Por isso amor nossa melhor saída.
É cada um de nós andar sozinho.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA



DISTÂNCIAS
Porque me vem tão pouco, quando vem,
Quero viver inteiro este momento.
Sem preocupar que as estações do tempo
Impõem horas certas a cada trem.
Porque me vem, me vejo assim também.
Vestido de completo alumbramento.
Na pele dá pra ver o sentimento
Que aflora, faz feliz e faz tão bem.
Pudesse vir mais vezes, eu teria.
Mais vezes o prazer dessa alegria
Mais vezes o prazer que você traz.
Pudesse vir mais vezes, meu amor.
Por certo eu saberia que essa dor
Quando me vem, aos poucos, se desfaz.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
COISAS DA VIDA
A fonte, gota a gota, faz os mares
Tijolo com tijolo, a construção.
A estrada, passo a passo, os caminhares
A busca de um atalho, a contramão.
As noites, sono a sono, faz sonhares
A força da centelha, a combustão.
O amor, com outro amor, faz os gostares
Fracassos com fracassos, a ilusão.
Palavra com palavra faz o texto
Mentiras com mentiras, o pretexto.
As horas, sobre as horas, lindos dias.
Histórias com histórias meus enredos
E assim juntando vida aos meus segredos
Eu faço as minhas tantas poesias.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO DE 2012















Simples
Amaro Vaz
Todo poeta é um ser iluminado
Por isso sou, apenas, um aprendiz.
Não me comparem a um grande letrado
Que escrevo verso usando o velho giz.
Basta uma esponja pra ser apagado
Pra dar um fim à vida do infeliz.
Alguém conhece aquele bom ditado:
Que todo mal se corta na raiz?
Escrevo versos só de brincadeira
Poetas são Drummond, Manuel Bandeira
Florbela Espanca, Cora Coralina.
Vinicius de Morais, Pablo Neruda
Pessoas que me emprestam uma ajuda
Quando a cabeça pede de uma faxina.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA



Dores Iguais
Não me ame, quando cheio de alegrias.
Ofereço o ombro amigo ao teu descanso.
Há momentos em que alguns raios de ranço
Misturam-se aos cheiros dos meus dias.
Muitas vezes eu me entrego às heresias
Que assim misterioso te alcanço.
Sentado na cadeira de balanço
Ouvindo nossas tristes melodias.
Sou forte nas tuas fragilidades
Sou fraco, quando morto de saudades.
Te vejo tão distantes do que penso.
Que choro... E ao chorar me vejo entregue
À triste solidão, que me persegue.
Sem que me possas emprestar teu lenço.
Amaro Vaz

LAÇOS ETERNOS
Quando digo que te amo. Não te amo...
Do jeito tão comum entre os casais.
Que vivem balançando desiguais
Como pingentes num pequeno ramo.
Te amo nos poemas que declamo
Na voz dos passarinhos nos quintais.
Nos desencontros sempre pontuais
Quando em meus devaneios eu te chamo.
Não sei te amar assim de outra maneira
Porque no meu amor a brincadeira
De amor agora e desamor depois.
É o mesmo que escalar uma parede.
Dormir abraçadinhos numa rede
E despertar distante de nós dois.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2012
DORES IGUAIS
Não me ame, quando cheio de alegrias.
Ofereço o ombro amigo ao teu descanso.
Há momentos em que alguns raios de ranço
Misturam-se aos cheiros dos meus dias.
Muitas vezes eu me entrego às heresias
Que assim misterioso te alcanço.
Sentado na cadeira de balanço
Ouvindo nossas tristes melodias.
Sou forte nas tuas fragilidades
Sou fraco, quando morto de saudades.
Te vejo tão distantes do que penso.
Que choro... E ao chorar me vejo entregue
À triste solidão, que me persegue.
Sem que me possas emprestar teu lenço.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA

VELHICE
Tantos pardais, - nenhuma andorinha-
Vê-se nas praças da minha velhice
Vem–me a saudade, eu voo à meninice.
Mesmo sabendo frágil a velha asinha.
Crescer. Envelhecer. Vida daninha!
Por que me traz essa cruel mesmice?
Contrariar o tempo é uma tolice
Levando uma vida que não é minha.
Ser velho é ter o verbo no passado
É ter o tempo sempre represado
Bem junto às águas dos pequenos rios.
Que fogem dos seus leitos na enchente
Para depois dormirem, simplesmente.
Na mesquinhez de seus tantos vazios.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2012
CERTEZA
Constrói em nossa volta um imenso muro,
A vida. Essa caixinha de surpresas!
E assim entre perguntas e incertezas
Nós vivemos como cegos no escuro.
Tentando desvendar nosso futuro
Há sempre alguém usando de espertezas.
Velas, incensos, cartas sobre as mesas
Promessas de um momento mais seguro.
Ciganos, cartomantes, charlatões.
Tamanha são as listas opções
Que poderão mudar a nossa sorte.
São tantas perguntas sem respostas
Que vejo muita gente dar as costas
À única certeza... Que é a morte.
Amaro Vaz
MACAÉ/CARANGOLA


QUE MAIS DIZER?
Que mais dizer-lhes meus queridos filhos
Além de tudo o que já disse antes?
Dizer-lhes que nós somos andarilhos
Buscando os nossos sonhos mais distantes?
Que a vida é como o trem sobre os trilhos
Enquanto somos os loucos viajantes?
Que a momentânea luz de falsos brilhos
Conduzem nossos passos mais errantes?
Que as atitudes e as boas ações.
Caminham sempre as mesmas direções?
Que a língua é um vulcão cuspindo lavas?
Que gentileza gera gentileza?
Que a base que sustenta a fortaleza
É feita nas escolhas das palavras?
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2012


FALSO BRILHANTE
Engana-se quem pensa que me engana
Pois, sempre amei fazer papel de bobo.
Em tantas vezes me vesti de lobo
Nos palcos imbecis da mente humana.
De cada aplauso, minha mente insana.
Desenha as regras do próximo jogo.
Onde terei que misturar-me ao lodo
Que se acumula no final da trama.
Os argumentos mais esfarrapados
Depois de lentamente ruminados
Serão usados em novos cenários.
Assim... Sempre depois de uma piada
Eu possa, enfim, dar uma gargalhada
Que é muito bom zombar desses otários.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2012



AMANTE DA LUA
Estúpida manhã, porque me trazes.
O sol? Não vês que os raios dos seus dias
Por mais que queiram não serão capazes
De devolverem-me as alegrias?
As minhas emoções vivem nas fases
Da lua. Que minguantes e vazias
Dá vida aos os meus sonhos mais vorazes
Quando se fazem cheias de ousadias.
Não vês a dor do triste girassol
(tão dependente dos raios de sol)
Girando, atrás do sol, sobre seu galho?
Como te sentes matando a neblina?
E aquela gota que o sol extermina?
Por que tens tanto ódio do orvalho?
AMARO VAZ
CARANGOLA/MACAÉ
JUNHO 2012



CONFLITO
Meu muito amor, seu pouco amor soubesse
Seu pouco amor, meu muito amor teria.
Que todo amor, meu muito amor daria
Se pouco amor, meu muito amor, quisesse.
Meu muito amor, seu pouco amor pudesse
Compreender. Meu muito amor faria
Seu pouco amor, ser mais amor um dia
Se em pouco amor, meu muito amor coubesse.
Meu muito amor, seu pouco amor não soube
Acomodar. E tanto amor não coube
Em meio às coisas deste amor tão fútil.
Meu muito amor morreu. Seu pouco amor
Como uma foto que perdeu a cor
Também morreu, pois foi amor inútil.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA



FANTASMAS
A vida é simples... Nós que a complicamos
Ao nos sentirmos nos escuros breus
Tão pequeninos feitos pigmeus
Se algum problema estranho defrontamos.
Muitas das vezes nos acovardamos
Porque perdemos toda fé em Deus.
Usando a carapuça dos ateus
Em meio a precipícios caminhamos.
O joio e o trigo ocupam a mesma tulha
Na mente uma centelha, uma fagulha
Servindo de alimento ao fogo atroz.
Que aos poucos vai queimando os sentimentos
Em cujas cinzas crescem opulentos
Velhos fantasmas que se escondem em nós.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA



COLHEITA
Conhece. Agrada. Conquista. Desfaz
E a luz da manhã enfeita de dores.
Em meu arco-íris mistura outras cores
Diz simplesmente: Pra mim tanto faz...
Não sabe. Não vê. Que o mal que me traz
É fruto do ódio. Dos teus dissabores.
Fui o travesseiro. Fui teus cobertores
E agora o meu beijo não satisfaz?
Além do carinho. Plantei a amizade!
Plantei novos rumos na realidade
Deitei alegrias nas tuas tristezas.
Te dei minha estrela. Te dei o meu céu!
Com o manto da lua te fiz lindo véu
E agora sozinho eu colho incertezas.
AMARO VAZ
23/11/2010

FIM
As lágrimas perdidas nas ausências
Pensando que nas águas de outros rios.
Pudessem navegar os seus vazios
As suas mais constantes insistências.
Vestidas das mais puras inocências
Do tempo em que viviam seus estios.
Usaram como trilha dois pavios
Onde queimaram todas as carências.
E assim com outras águas misturadas
Percebem que são lágrimas passadas
Que não mais voltarão ao velho ninho.
Nós somos essas lágrimas perdidas
Por isso amor nossa melhor saída.
É cada um de nós andar sozinho.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2012

OS OLHOS DO AMOR
Meus olhos são como rodas gigantes
Girando suas loucas emoções.
Buscando os sentimentos mais distantes
Das introspectivas ilusões.
Às vezes suas buscas conflitantes
Misturam sonhos com velhas razões.
E rodam, rodam, rodam inconstantes
E explodem como lavas nos vulcões.
Soubessem esses meus olhos pequeninos
Que nas manhãs dos olhos femininos
O sol com toda sua tradição.
Também se rende à ordem recebida
Por isso há tanto brilho em nossa vida
Quando somos cativos da paixão.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2012


ORAÇÃO
Se vem de ti Senhor seja bem vinda
Toda alegria. Sê bem vinda a dor
Bem vinda seja a paz interior
Bem vinda seja esta manhã tão linda.
Todas as bênçãos que hão de vir ainda
Bem-vindo seja todo este amor.
A fonte, os rios. Bem vinda seja a flor
Toda abundância. Esta fé infinda.
Bem vinda a luta. A voz absoluta
Bem vindo o suor de uma labuta
Bem vinda a vida. Tudo o que nela tem.
Muito obrigado Pai. Muito obrigado!
Mil vezes Te direi, muito obrigado
Pela misericórdia, a graça. Amém!
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA

O POETA
Um coração que ri, não há quem dome
Não há quem dome, um coração que chora.
Se a mente expele o que a su’alma aflora
Toda essa essência verme algum lhe tome.
Na dor alheia mata a sua fome
Em verso e prosa segue mundo afora.
Destrata o tempo, a vida desafora
Nem mesmo a louca morte lhe consome.
Que ser poeta é ter o dom divino
De introceder nas regras do destino
Contrariando o dom da criação.
Que ser poeta é habitar o ventre
Do sentimento humano. Ser a semente!
Que aflora um verso em cada coração.
AMARO/MACAÉ/CARANGOLA



AMAR É...
Amar é ter acessibilidade
Ao mundo angelical de uma criança.
Plantar a paz durante a tempestade
Para colher sorrisos na bonança.
Amar é costurar fraternidade
No passo entristecido da vingança.
Tecer os argumentos da verdade
Na colcha de retalhos da esperança
Amar é semear contentamentos
Nas rugas de possíveis contratempos
Vivendo uma, constante, meninice.
Amar é ser presente o tempo inteiro
Desde o momento do olhar primeiro
Até o olhar cansado da velhice.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA


DISTÂNCIAS
Porque me vem tão pouco, quando vem,
Quero viver inteiro este momento.
Sem preocupar que as estações do tempo
Impõem horas certas a cada trem.
Porque me vem, me vejo assim também.
Vestido de completo alumbramento.
Na pele dá pra ver o sentimento
Que aflora, faz feliz e faz tão bem.
Pudesse vir mais vezes, eu teria.
Mais vezes o prazer dessa alegria
Mais vezes o prazer que você traz.
Pudesse vir mais vezes, meu amor.
Por certo eu saberia que essa dor
Quando me vem, aos poucos, se desfaz.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2012


PENSAMENTO
Meu par de asas, quando encontra o vento
Bate feliz, a sorte está lançada.
Qual direção? Qual rumo? Qual estrada?
Vai depender do velho pensamento.
Voar não é questão de sentimento
Nem mesmo uma lição que foi passada.
Provém do coração a ordem dada?
Por isso é prazer, contentamento.
A vida inteira eu vôo sem problemas
Em cada vôo invento novas cenas
E nelas eu me recrio, eu me refaço.
Porque voar não é um sacrifício
É uma emoção, é o gostoso vício
Que nos ensina desatar o laço.
AMARO VAZ
VERDADES
Mamãe deixou-me esta grande herança:
-Por mais distante que seja o caminho
Caminhe... Mesmo que sinta o espinho
Ferir como a ponta de uma lança.
Dos tempos de menino. Na lembrança...
Carrego o ensinamento mais felino:
-A soma dos amigos não alcança
Do polegar ao dedo pequenino.
Mamãe morreu. Também morri um pouco!
Confesso que este mundo um tanto louco
Não é razão maior dos grandes medos.
Não me preocupam a vida e seus perigos
Só temo após contar os meus amigos
Olhar pra mão e ver sobrando dedos.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2012
COLCHA DE RETALHOS
A vida é uma colcha de retalhos
Onde botamos no lugar dos panos
Nossos sucessos, nossos desenganos.
Grandes caminhos, pequenos atalhos.
Frutos colhidos de variados galhos
Os bons projetos, pequeninos planos.
O que aprendemos com as perdas e danos
As sobras de constantes atos falhos.
As amarguras que a gente entulha
Serão usadas no lugar da agulha
A boa linha é uma questão de sorte.
Alguns preferem as linhas do tempo
Que além de darem um bom acabamento
Seguem tecendo a colcha até a morte.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
JUNHO 2012




























AMAR É...
Amar é ter acessibilidade
Ao mundo angelical de uma criança.
Plantar a paz durante a tempestade
Para colher sorrisos na bonança.









Boa noite poeta...
==================
RECOMEÇO
Simples assim: Sonhava o fim? O fim colheu.
Agora é tarde. O peito arde? Nada a fazer.
Enxugue o pranto. O desencanto? Deixa doer.
De amor se vive? De amor se morre? Aconteceu!
Triste demais. Não sonha mais? Não sonho eu.
Fui mais além. O amor de alguém? Vi florescer.
O que plantei. Não colherei? Nada a dizer.
Melhor assim. O amor em mim? O amor colheu.
Tanto esperei. Por que chorei? Virou-me as costas!
Foi desfrutar. Posso falar? Outras propostas.
Arrependida? Subtraída? Quanta maldade!
Tarde demais. Sabe os meus ais? São gargalhadas!
Fim do açoite. As minhas noites? Escancaradas
Simples assim: Que levo em mim? Felicidade!
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA




Sentir amor é
como estar muito além
das estrelas.
tentando entender o segredo
que reveste esse sentimento,
que me dá tanto frescor e
tanta vida.
Angel (L.M)


CONSTATAÇÃO
Pela ótica petista
Cristo jamais foi traído
João Paulo não é bandido
Toda a mídia é golpista
O empresário é fascista
O seu lucro é desmedido
Ter dinheiro é proibido
O contrário é moralista.
Que a história do mensalão
Não passa de uma invenção
Da Veja e Rede Globo.
Porque, no fundo, o petista
Com seu jeito moralista
Pensa que o povo é bobo.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
CRENÇAS
Antes mal acompanhado do que só
Vamos logo acabar com o preconceito.
Se a mesa está lotada. Dá-se um jeito
De chuchu com camarão virar bobó.
Junte ao figo o gosto amargo do jiló
Doce pronto? O gostinho é perfeito!
O que é bom pode mudar um mau sujeito
Se a vontade na cabeça der um pó.
Quem teme o espinho não vislumbra a flor
Quem ama ódio não semeia o amor
Quem teme a luz só sabe o breu da treva.
Embora o mundo tenha os seus mistérios
O que a gente leva aos cemitérios
Além da vida que a gente leva?
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA


MENTIRAS
-Mentiras ponto com. Seja bem-vindo!
-Em que posso ajudá-lo, meu senhor?
-Diga-me o seu problema, por favor...
-Enquanto isso... A tela eu vou abrindo!
-Aqui eu posso ler..Me diz sorrindo:
-Um kit inteiro do mais falso amor
-Duas garrafas do melhor rancor
-Alô... Alô... Sumiu... Está me ouvindo?
Estou, pergunto logo: O que é que eu faço?
Se o verdadeiro amor jogou-me o laço?
As lágrimas me descem copiosas...
-Perdão, senhor. Perdão. Perdão. Perdão!
-Não leu ,do início ao fim, a instrução?
Vendemos-lhe promessas mentirosas!
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA

CONSELHOS Nº 2
Muitas das vezes trocando
Um passarinho na mão.
Por dois pássaros voando
Sem motivo ou sem razão.
Sentimos por um momento
Um grande contentamento
Uma incontida alegria...
Mas... Quando os dois passarinhos
Voam de volta aos seus ninhos
Ficamos com a mão vazia.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA



Seu dia...
Hoje e todos os dias,
levante o rosto para o sol
e siga sua estrela!
Vá buscar seus sonhos além do arco-íris,
por mais impossíveis que pareçam.
Embale no peito as maiores esperanças
e ouça sempre seu coração.
Acredite sempre e siga o seu caminho,
pois o amanhã nasce do que você sonha hoje.
Que neste aniversário,
e a cada dia que vier
você seja sempre e sempre mais feliz!
PARABÉNS.................
Angel (L.M)




Boa noite poeta. Linda sua poesia.
********************************
Nosso Amor
Feito de distâncias
O amor que nos une
Separa.
O amor que nos prende
Liberta
O amor que nos vem
se ausenta.
E mesmo ausente
Laça
E quando laça
Une
uma vez unido
Prende.
E quando preso
Acontece...
No mesmo abraço de sempre.
Amaro Vaz

CONSELHOS
A vida sempre aconselha:
Quem tudo quer, não tem nada.
Não faz trato com abelha
Quem tem medo da picada.
É solitária, a ovelha.
Do rebanho, desgarrada.
Não confunda liberdade
Com falta de direção.
Nas ruas de uma cidade
Algumas são contramão.
Quando o não é uma verdade
Vira a melhor opção.
Uma pequenina loa
Pode iludir a plateia.
Nem sempre a mesma ideia
Serve para uma pessoa.
Contínua prosopopeia
Um dia afunda a canoa.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA




NOSSO AMOR
Feito de distâncias
O amor que nos une
Separa.
O amor que nos prende
Liberta
O amor que nos vem
se ausenta.
E mesmo ausente
Laça
E quando laça
Une
uma vez unido
Prende.
E quando preso
Acontece...
No mesmo abraço de sempre.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA



AMOR ETERNO
Eterno é todo amor que vem de dentro
Para se unir ao amor que vem de fora.
E juntos semearem vida afora
Ações que moldarão o pensamento.
Sorrir, sempre, que houver contentamento,
Chorar... Que por amor também se chora.
Jamais deitar discórdias sobre a hora
Pra não borrar a cor do sentimento.
Eterno é todo o amor que a gente tece
Nas linhas de um abraço que aquece
Para que o amor se faça absoluto.
E assim sobre os pilares da verdade
Jamais viver a triste realidade
Antes da morte... Se vestir de luto!
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
AGOSTO DE 2012
OLIMPÍADAS BRASIL
Se não trouxemos medalha
Lá da capital inglesa.
Se a justiça não for falha
Em Brasília, com certeza,
Os atletas do cinismo
Os bandidos do atletismo
O time de Ali Babá...
Pelos senhores togados
Serão todos laureados
E a justiça se fará.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA













A PORTA DE CADA DIA
Luiza Carvalhaes de Albuquerque
Deixe a porta encostada
Porque eu volto um dia
Me machucando o coração
Em busca de anistia
Ferindo as regras do padrão
Que há muito tempo havia
Volto para tua proteção
Para tua companhia...
Agora, sim, eu compreendo
O que eu não sabia.
Porque o dia ia embora
E nunca amanhecia
Uma saudade vigilante
Que não existia
Me cobrava a todo instante
Você... Minha agonia
Na porta de cada dia.




REFLEXÕES
Não sonho ver meus versos macarrônicos
Manchando as brancas páginas de um livro.
Da fama alucinada eu sempre esquivo
Que tentem essa façanha os daltônicos.
Melhor deixar meus versos desarmônicos
Jogados nas gavetas de um arquivo.
Pra não manchar meu nome o adjetivo
Sequer em meus momentos mais lacônicos.
Ser poeta? Nunca fui? Nunca serei?
Sou súdito... Não sonho ser o rei!
Jamais ousei viver em um castelo.
A falta de humildade é um perigo
Faz o joio se julgar melhor que o trigo
Faz os porcos esnobarem o farelo.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SETEMBRO 2012


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