AMAROS VAZ ( 2011)

SABEDORIA
O dia não inveja o novo dia
Que em pouco tempo irá lhe suceder.
Por isso vive inteiro o seu viver
E o faz com muito amor e galhardia.
A isso eu chamo de sabedoria
Fazer a sua história acontecer.
Não fosse a imensa sede de poder
Ser como o dia, o homem deveria.
Não quer o dia ser absoluto
Não vê-se o dia, simplesmente, puto
Chorar as mágoas de uma grande dor.
Não sonha o dia com a eternidade
Não perde tempo com a ansiedade
Porque prepara o seu sucessor.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE VIAGENS MALUCAS

OPÇÃO
Falo de amor, porque o desamor
Quero distante deste meu poema.
Quem prega o desamor é o Datena
Naquele seu programa de terror.
Falo de amor, porque prefiro a cor
Da luz do sol pintando a minha cena.
Quem ama o desamor, o amor condena
Prefere olhar o espinho ao invés da flor.
Falo de amor, porque o amor refaz
A esperança no raiar do dia
E prega o bem sem que se olhe a quem.
Falo de amor, porque o amor me traz
O sentimento, pleno, de alegria
Falo de amor, porque o amor faz bem.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE RECADINHOS SÉRIOS

CARNAVAL IMAGINÁRIO
Tente apagar da ponta de seus dedos
As marcas das mais loucas ousadias.
A dança, o gozo, suas euforias
Que para mim são íntimos segredos.
Tente apagar da mente os enredos
Que em noites, simplesmente, mais vazias.
Você me usou-me alegorias
Pra desfilar depois seus falsos medos.
Às vezes, num desfile emocionado
O som da bateria sai truncado
E mesma assim a escola continua.
Sem se importar com a água do chuveiro
Sente no ar gostoso e doce cheiro
De uma mulher se amando, linda e nua.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
19/10/2011

AMAR É...
Amar é ter acessibilidade
Ao mundo angelical de uma criança.
Plantar a paz durante a tempestade
Para colher sorrisos na bonança.
Amar é costurar fraternidade
No passo entristecido da vingança.
Tecer os argumentos da verdade
Na colcha de retalhos da esperança
Amar é semear contentamentos
Nas rugas de possíveis contratempos
Vivendo uma, constante, meninice.
Amar é ser presente o tempo inteiro
Desde o momento do olhar primeiro
Até o olhar cansado da velhice.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
18/10/2011

NOTA DE FALECIMENTO
Orkut faleceu, precocemente
A quem deseja vê-lo, enfim, cremado.
Já muitos querem vê-lo enterrado
Eu penso um tanto, quanto, diferente.
Eu o quero entregue às moscas, simplesmente
-não porque o veja muito ultrapassado-
É que ando muito mais apaixonado
Por outra coisa bem mais atraente.
O facebook deu mais charme à rede
Os usuários, todos, sentem sede
Por isso bebem dessa fonte nova.
Se essa fonte ficar, também, barrenta
A gente se entristece e até lamenta
Porém, seu fim será, também, uma cova.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE BRINCADEIRINHAS

NAMORO VIRTUAL
O amor que era só meu compartilhou
Com toda a rede... Até no facebook.
Usando no perfil um velho truque
A imagem de um jovem, ele postou.
O fake, de repente, se tornou
Grande sucesso... Ficou lindo o look!
Aconselhei, gritei: Não me machuque!
Fingido-se de surdo, me esnobou.
Pensei comigo: Vou lhe por um freio!
Elas irão saber o quanto é feio
Assim com essa mutreta logo acabo.
Postei as suas fotos no perfil
Todos gritaram: Puta que pariu!!!
Pra ser o cariá, só lhe falta o rabo.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Amaro Vaz
Macaé/Carangola
Série brincadeirinhas
CARANGOLA NA ÁREA
Hoje estarei, por certo, em Carangola
E essa saudade, que tanto maltrata
Há de secar os goles de uma lata
Que redondinha desce goela afora.
Fico ansioso, pois não vejo a hora
De ir ao Batuta, que tão bem me trata.
E o meu desejo, com prazer, acata
Servindo-me cerveja em tempo e hora.
No Breno, Refazenda, no Xuá
Quero as fofocas, que rolam por lá
Viver distante é muito complicado.
Em Macaé, com seus bares tão lindos
Olho, procuro e não vejo sorrindo
Os meus amigos na mesinha ao lado.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIES BRINCADEIRINHAS VERDADEIRAS.



ENCRUZILHADAS
O amor e o desamor são semelhantes
Quando promovem os seus dissabores.
A diferença está em seus valores
Nas coisas de um depois rasgando o antes.
No amor se tem os sonhos delirantes
No desamor as mais ingratas dores.
Porém se misturamos essas cores
Crescem depressa feito dois gigantes.
Há os que dizem que o amor é tudo
Eu digo, apenas, que já não me iludo
Sem demonstrar que, às vezes, fico aflito.
Eu amo amar o amor que me quer bem
Se o desamor achar de vir também
Vale o dito pelo que não foi dito.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE QUESTIONAMENTOS LOUCOS



TRISTES LEMBRANÇAS
O grito, o verso, lágrimas de herança
Que já não cabem mais dentro de mim.
Todas as noites buscam um botequim
Para chorarem a mais cruel lembrança.
Aos doze anos..Era uma criança!
Que descobriu. Não eram de festim
Aqueles tiros, que levaram ao fim
O que eu julgava ser uma aliança.
Como esquecer aquele dez de outubro?
Se toda noite o mesmo caldo rubro
Deixa seu rastro sobre o chão do quarto?
Como esquecer aquela cena louca
Se a mente, ainda, veste a mesma roupa
Que eu usava em sessenta em quatro.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
28/11/2011
SÉRIE TRISTE REALIDADE
RECADINHO
A brincadeira com o presidente
Que na laringe está com um tumor.
Se justifica, mas não é prudente
Que nessas horas nos falte o amor.
O mal da gente é não pensar que a gente
Está sujeito a essa mesma dor.
O bote dessa praga é uma serpente
Cujo veneno não vê credo e cor.
Desejo ao Lula que Deus lhe ajude
E à Dilma eu peço: Cuide da saúde...
Isso eu lhe peço em nome de Jesus.
Para que possa governar tranquila
Para que não bote o Brasil na fila
Dessa imundice que se chama SUS.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
30/10/2011
SÉRIE RESPEITO E CRÍTICA

AUSÊNCIAS
Ausências com ausências são vazios
Que, às vezes, se acumulam em nossa vida.
E quando atacados por estios
Aos poucos se transformam em feridas.
Ausências, sempre, causam alguns desvios
Da imagem que se espera refletida.
Na velha foto que foi corroída
Pelas barrentas, águas de um rio.
Têm as ausências mais inesperadas
Um batalhão de afeições trancadas
No cofre escuro do esquecimento.
Como se fossem pequeninas larvas
Aos poucos matam as lindas palavras
Que aos poucos matam velhos sentimentos.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE "RECADINHO DIRETO"
BRINCADEIRA DE AMOR
Tanto brinquei de amar, que num brinquedo
O amor me transformou, sem que eu sentisse.
Criando, em minha vida, um novo enredo
Crescendo em mim, sem que eu lhe permitisse.
Tomou conta de tudo. Trouxe o medo
Usando a mesma e velha fanfarrice.
Brincou, brincou, brincou... Depois me disse:
Jamais provoquem o meu maior segredo.
Sou como as águas de uma cachoeira
Sou como a águia atroz e altaneira
Antes que pense em me fazer de bobo.
Sou eu quem cria sentimentos nobres
Não adiantam seus truques esnobes
Porque sou eu quem faz as leis do jogo.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE BRINCADEIRAS
BRINCADEIRA DE AMOR
Tanto brinquei de amar, que num brinquedo
O amor me transformou, sem que eu sentisse.
Criando, em minha vida, um novo enredo
Crescendo em mim, sem que eu lhe permitisse.
Tomou conta de tudo. Trouxe o medo
Usando a mesma e velha fanfarrice.
Brincou, brincou, brincou... Depois me disse:
Jamais provoquem o meu maior segredo.
Sou como as águas de uma cachoeira
Sou como a águia atroz e altaneira
Antes que pense em me fazer de bobo.
Sou eu quem cria sentimentos nobres
Não adiantam seus truques esnobes
Porque sou eu quem faz as leis do jogo.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE BRINCADEIRAS
DECEPÇÃO
Relendo a carta que escreveu Caminha
Aquela frase: “Em se plantando dá”
Me fez lembrar daquela “musiquinha”
Que terminava assim: Lula, lá, lá...
É que ali nascia a “quadrilhinha”
Que eu sei, todos sabemos onde está.
Nas meias, nas cuecas. Por que será?
Que todos são ladrões de carteirinha?
Eu tanto acreditei nessas pessoas
Eu tanto acreditei em suas loas
Eu tanto, e tanto, e tanto, e tanto, e tanto
Acreditei que fosse gente séria
Pessoas oriundas da miséria
Quebrei a cara, e só eu sei o quanto!
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE NOTÍCIAS VELHAS, MAS, AINDA, TRISTES.
VÁRIAS
Minha poesia é casta
Porque a mim me basta
O néctar da deliciosa fonte
Desse meu amor demais...
A minha poesia é vasta
Porque nas estradas se gasta
Na procura desse amor demais...
A minha poesia é nefasta
Quando me afasta desse amor demais
Porque isso me dói, também, demais.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE VERSOS SOLTOS
FELIZ GESTO VELHO
Ano Novo é sempre assim: Novos caminhos,
Novos sonhos, promessas de mudanças.
Renovadas as nossas esperanças
Vê-se rosas, onde antes viu-se espinhos.
Ano Novo é recomeço... É simplesmente
A certeza de que as coisas mudarão.
Seja o gesto. Seja o sonho. A visão!
Novo fruto há de vir dessa semente.
Inocente, o sentimento irmandade
Nossa alma, nossa mente, a tudo invade
De repente todo mundo é benfeitor.
Normalmente tudo dura poucos dias
Mal o mês de janeiro inicia
Voltam medo, guerra, ódio e rancor.
Carangola, 09 de janeiro de 2008
SIMPLES ASSIM
Simples assim... Melhor o fim, você
Pensou em si... Sem dó, re, mi, sem fá.
Perdido o tom...Perdido o som, não há
Motivo algum.. Vou ser mais um, pra quê?
Sem o abrigo...Nenhum amigo, crê
Que possa vir...Um existir de lá.
O que foi posto... Esse desgosto, está
Na escuridão... Sua ilusão, não vê?
Simples demais... Sem muitos ais, somente
O olhar distante... A vida errante, a mente
Como se fosse uma janela aberta.
Permite o ar... O sol entrar, a vida
A insensatez... Sua altivez suicida
Desenha o fim... Em mim, na hora certa.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
DEFINITIVAMENTE
.
Juntei porções do seu amor semente
E as plantei em meu jardim de esperas.
Reguei, cuidei, podei, colhi somente
... Triste esperança feita de quimeras.
.
Você me prende feito uma corrente
Como se, em mim, fosse viçosas heras.
A mesma flor de tantas primaveras
O mesmo mal que me deixou doente.
.
Desenho fugas, mas você me prende
Por mais que chame, você não me atende
E assim cansado de tanto implorar.
.
Velhas sementes que guardei um dia
Eu deixarei que morram, à revelia
Que o amor, também, se cansa de esperar.
.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
Se o ódio gera ódio e vice-versa
Prefiro não ter ódio, com certeza
Só gentileza gera gentileza
Pagar o mal, com o mal, não me interessa.
Eu sei que a justiça não tem pressa
E, às vezes, não é feita com clareza.
Depois de ver as cartas sobre a mesa
Alguém pode mudar essa conversa.
Eu quero crer que haja uma doença
Falta de fé, falta de Deus, de crença
E só a voz de satanás se ouviu.
É desprezível, eu sei... Eu senti pena!
Da pobre criancinha tão pequena
Que aquela triste cena assistiu.
AMARO VAZ
AMIGOS
Amigo se conjuga simplesmente
Verbalizando tempos casuais.
Alguns usando o verbo no presente
Já outros!... Verbo algum, lhes cabe mais.
A vida, às vezes, faz o amigo ausente
-distâncias entre amigos são normais-
O que não muda o verbo que há na gente
Porque todos nos são especiais.
Amigos, muitas vezes, conjugamos
Felizes com os verbos que ofertamos
Felizes com os verbos recebidos.
O que não vale é o tempo no futuro
Quando se deixa o verbo em pleno escuro
Que, aos poucos, faz amigos esquecidos.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
TRISTES LEMBRANÇAS
A sala de jantar cheia de flores
Que se espalharam ao chão, depois que o vento
Entrou sem permissão no aposento
Beijando sem preguiça as minhas dores.
No quarto, entre os lençóis, dois cobertores
Me fazem crer que o meu maior momento
Não permitiu que a luz do esquecimento
Pintasse o futuro de outras cores.
Ao lado de uma velha penteadeira
Por não ser devolvida à cristaleira
Dormia a taça com o vinho seu.
Abri minha janela, bem discreto
Deitei em minha cama, olhando o teto
Voltei à realidade. Ela morreu!
Macaé/Carangola.
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