AMAROS VAZ ( 2011)



RAIO X
Eu que gostava tanto de viver
Família, casa, amigos, vice e versa.
Na mesa uma cerveja, a conversa...
Fluindo leve, sem comprometer.
No clube, nos momentos de lazer
O tempo caminhando, assim, sem pressa.
Até que a vida disse: Vamos nessa!...
É hora de outra história escrever.
Sem calcular as perdas e os danos
Na mente comecei traçar os planos
Feito cachorro que cai de mudança.
Me vejo , sem lugar, neste lugar
Ora querendo ir, ora ficar
Vivendo, apenas, de boas lembranças.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE SAUDADE

SABEDORIA
O dia não inveja o novo dia
Que em pouco tempo irá lhe suceder.
Por isso vive inteiro o seu viver
E o faz com muito amor e galhardia.
A isso eu chamo de sabedoria
Fazer a sua história acontecer.
Não fosse a imensa sede de poder
Ser como o dia, o homem deveria.
Não quer o dia ser absoluto
Não vê-se o dia, simplesmente, puto
Chorar as mágoas de uma grande dor.
Não sonha o dia com a eternidade
Não perde tempo com a ansiedade
Porque prepara o seu sucessor.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE VIAGENS MALUCAS

OPÇÃO
Falo de amor, porque o desamor
Quero distante deste meu poema.
Quem prega o desamor é o Datena
Naquele seu programa de terror.
Falo de amor, porque prefiro a cor
Da luz do sol pintando a minha cena.
Quem ama o desamor, o amor condena
Prefere olhar o espinho ao invés da flor.
Falo de amor, porque o amor refaz
A esperança no raiar do dia
E prega o bem sem que se olhe a quem.
Falo de amor, porque o amor me traz
O sentimento, pleno, de alegria
Falo de amor, porque o amor faz bem.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE RECADINHOS SÉRIOS

CARNAVAL IMAGINÁRIO
Tente apagar da ponta de seus dedos
As marcas das mais loucas ousadias.
A dança, o gozo, suas euforias
Que para mim são íntimos segredos.
Tente apagar da mente os enredos
Que em noites, simplesmente, mais vazias.
Você me usou-me alegorias
Pra desfilar depois seus falsos medos.
Às vezes, num desfile emocionado
O som da bateria sai truncado
E mesma assim a escola continua.
Sem se importar com a água do chuveiro
Sente no ar gostoso e doce cheiro
De uma mulher se amando, linda e nua.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
19/10/2011














AMAR É...
Amar é ter acessibilidade
Ao mundo angelical de uma criança.
Plantar a paz durante a tempestade
Para colher sorrisos na bonança.
Amar é costurar fraternidade
No passo entristecido da vingança.
Tecer os argumentos da verdade
Na colcha de retalhos da esperança
Amar é semear contentamentos
Nas rugas de possíveis contratempos
Vivendo uma, constante, meninice.
Amar é ser presente o tempo inteiro
Desde o momento do olhar primeiro
Até o olhar cansado da velhice.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
18/10/2011

NOTA DE FALECIMENTO
Orkut faleceu, precocemente
A quem deseja vê-lo, enfim, cremado.
Já muitos querem vê-lo enterrado
Eu penso um tanto, quanto, diferente.
Eu o quero entregue às moscas, simplesmente
-não porque o veja muito ultrapassado-
É que ando muito mais apaixonado
Por outra coisa bem mais atraente.
O facebook deu mais charme à rede
Os usuários, todos, sentem sede
Por isso bebem dessa fonte nova.
Se essa fonte ficar, também, barrenta
A gente se entristece e até lamenta
Porém, seu fim será, também, uma cova.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE BRINCADEIRINHAS







NAMORO VIRTUAL
O amor que era só meu compartilhou
Com toda a rede... Até no facebook.
Usando no perfil um velho truque
A imagem de um jovem, ele postou.
O fake, de repente, se tornou
Grande sucesso... Ficou lindo o look!
Aconselhei, gritei: Não me machuque!
Fingido-se de surdo, me esnobou.
Pensei comigo: Vou lhe por um freio!
Elas irão saber o quanto é feio
Assim com essa mutreta logo acabo.
Postei as suas fotos no perfil
Todos gritaram: Puta que pariu!!!
Pra ser o cariá, só lhe falta o rabo.
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Amaro Vaz
Macaé/Carangola
Série brincadeirinhas




CARANGOLA NA ÁREA
Hoje estarei, por certo, em Carangola
E essa saudade, que tanto maltrata
Há de secar os goles de uma lata
Que redondinha desce goela afora.
Fico ansioso, pois não vejo a hora
De ir ao Batuta, que tão bem me trata.
E o meu desejo, com prazer, acata
Servindo-me cerveja em tempo e hora.
No Breno, Refazenda, no Xuá
Quero as fofocas, que rolam por lá
Viver distante é muito complicado.
Em Macaé, com seus bares tão lindos
Olho, procuro e não vejo sorrindo
Os meus amigos na mesinha ao lado.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIES BRINCADEIRINHAS VERDADEIRAS.





CUTUCAR É UM PERIGO
No facebook adoro cutucar
Alguns cutuco pouco e a outros mais.
Cutuco os meus amigos virtuais
Cutuco a quem não devo cutucar.
Quem teve a boa idéia de inventar
As tantas cutucadas geniais?
Embora muitos acharão banais
As cutucadas, que eu adoro dar.
O bom astral me leva às brincadeiras
Porque as cutucadas verdadeiras
Faz tempo que não sei como são dadas.
Porque não quero terminar meus dias
Nos leitos sujos das enfermarias
Sem dentes e a cara cheia de porradas.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOA
SÉRIE BRINCADEIRINHAS

DEMÔNIOCRACIA
Não ouço mais Vandré falar de flores
Gilberto Gil cantando aquele abraço.
Somente a roubalheira ganha espaço
Na casa onde reinavam os opressores.
Não vejo mais ninguém falar de horrores
Não vejo mais algema presa ao braço.
Somente vejo a cara de palhaço
De um povo que elegeu os roedores.
Tiramos do poder um presidente
E vimos um operário, simplesmente...
O resto é tudo aquilo que se vê.
Discurso, fanfarrice, blá, blá, blá
A volta do terrível Ali Babá
E seus comparsas vindos do PT.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
22/10/2011




PREGUIÇOSO PRECOCE
Depois que conheci a bolsa escola
A minha velha enxada aposentei.
Comprei cordas aço pra viola
E nunca mais no campo eu pisei.
Troquei o meu suor por essa esmola
E vivo num castelo sem ser rei.
Bendita seja a mão que me consola
O amanhã? Sei lá...Melhor! Não sei...
Apenas sei que adoro essa preguiça
Além do compromisso de ir à missa
Depois ficar olhando o chafariz.
Na esbórnia de uma lei muito simplista
Por odem de um governo populista
Sou mais um preguiçoso no país.
Amaro Vaz
Macaé/carangola
22/10/2011

SE DEUS FOSSE BRASILEIRO
Não não creio que Deus seja brasileiro
Como aprendi nos tempos de menino.
Se brasileiro fosse, Juscelino
Talvez mudasse o sonho pioneiro.
De transferir do Rio de Janeiro
(lugar mais requintado e bem mais fino)
Os homens, que comandam o destino
Desse povinho, comumente, ordeiro.
Se brasileiro fosse, estou bem certo
Que as valiosas mãos do arquiteto
Com sangue comunista em suas veias.
Não ousariam aquele grande salto
Projetariam, creio, no Planalto
Centenas de latrinas e cadeias.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
22/10/2011



ENCRUZILHADAS
O amor e o desamor são semelhantes
Quando promovem os seus dissabores.
A diferença está em seus valores
Nas coisas de um depois rasgando o antes.
No amor se tem os sonhos delirantes
No desamor as mais ingratas dores.
Porém se misturamos essas cores
Crescem depressa feito dois gigantes.
Há os que dizem que o amor é tudo
Eu digo, apenas, que já não me iludo
Sem demonstrar que, às vezes, fico aflito.
Eu amo amar o amor que me quer bem
Se o desamor achar de vir também
Vale o dito pelo que não foi dito.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE QUESTIONAMENTOS LOUCOS


CANÇÃO PARA NÓS DOIS
Simples assim: Dentro de mim.Você
É luz intensa. Às vezes tensa luta.
Essa distância. Uma arrogância puta!
Que faz querer. Tanto sofrer... Por quê?
Tempo achará. Tempo haverá, que dê
Para sonhar. Mudar nossa conduta.
Meu coração. Seu coração escuta!
Pra que viver, sem ter você? Pra quê?
Grito daqui. Você daí... Mais nada
Perdido vivo. Se for preciso... A estrada
A mesma estrada transforma o nada em tudo.
No mesmo ponto. O velho encontro. A paz
O mesmo amor. Todo calor me traz
E aquele grito. Antes aflito, é mudo.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
28/10/2011





TRISTES LEMBRANÇAS
O grito, o verso, lágrimas de herança
Que já não cabem mais dentro de mim.
Todas as noites buscam um botequim
Para chorarem a mais cruel lembrança.
Aos doze anos..Era uma criança!
Que descobriu. Não eram de festim
Aqueles tiros, que levaram ao fim
O que eu julgava ser uma aliança.
Como esquecer aquele dez de outubro?
Se toda noite o mesmo caldo rubro
Deixa seu rastro sobre o chão do quarto?
Como esquecer aquela cena louca
Se a mente, ainda, veste a mesma roupa
Que eu usava em sessenta em quatro.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
28/11/2011
SÉRIE TRISTE REALIDADE



GATOS AUSENTES, RATO PRESENTE
Sou eu quem dá as ordens no terreiro
sou eu quem manda em tudo e em todos.
Sou eu quem grita com aqueles bobos
sou eu quem come o pirão primeiro.
Sou eu quem passa horas no chuveiro
quem não pega em vassouras e em rodos.
Não desentope pias, pega em lodos
sou eu quem impõe limites no vespeiro.
Camila, Thalles, Leila, Laura, Ítalo
São partes importantes de um capítulo
que, felizmente amigos, não tem preço..
Só mando em tudo, nesses versos loucos
Quando estão perto meus gritos são poucos
Quando eles mandam, sempre, OBEDEÇO.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE SONHOS QUE NUNCA SERÃO REALIZADOS.




ESPELHO
Você se sabe tolo, quando diz
que a felicidade é companheira.
Com os olhos parecendo uma torneira
de lágrimas, que lembram um chafariz.
Eu sei...Também fui tolo, quando quis
levar a sério aquela brincadeira.
Apenas um momento de bobeira
e foi-se a chance de ser mais feliz.
No amor, quando se brinca é um perigo
brinquei, brinquei, brinquei com este inimigo
e tudo o que recebo é sofrimento.
Fui tolo, acreditando que me amava
Fui tolo, quando vi que não passava
somente de um brinquedo, um passatempo.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA




RECADINHO
A brincadeira com o presidente
Que na laringe está com um tumor.
Se justifica, mas não é prudente
Que nessas horas nos falte o amor.
O mal da gente é não pensar que a gente
Está sujeito a essa mesma dor.
O bote dessa praga é uma serpente
Cujo veneno não vê credo e cor.
Desejo ao Lula que Deus lhe ajude
E à Dilma eu peço: Cuide da saúde...
Isso eu lhe peço em nome de Jesus.
Para que possa governar tranquila
Para que não bote o Brasil na fila
Dessa imundice que se chama SUS.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
30/10/2011
SÉRIE RESPEITO E CRÍTICA


Por quê?
Compartilhamos solidariedade
Compartilhamos nossas alegrias.
Compartilhamos nossas fantasias
E agora compartilho uma saudade.
Por que compartilhar essa maldade
Com quem sonhava o resto dos seus dias
Enchendo as nossas quatro mãos vazias
De lindos sonhos e felicidade?
Por que compartilhar tanta tristeza
No instante em que preparo uma surpresa
Para fazer mais lindos os dias seus?
Por que compartilhar tamanha dor
Com quem só quis lhe dar o seu amor?
Por que me dar em troca esse adeus?
Amaro Vaz
Macaé/ Carangola
Série Momentos Tristes


LONGEVIDADE
Quem passa a vida, pensando na morte
A morte vive involuntariamente.
Tem manchas do futuro no presente
Partículas de azar em sua sorte.
Se a morte está no sul, vivo no norte
Se a morte está tristonha, estou contente.
Nós dois nos odiamos mutuamente
Porque na vida eu tenho o meu suporte.
A mim não me faz falta essa senhora
Se ela demorar? Viva a demora!
O meu negócio é vida em abundância.
Da morte eu quero algo, assim, pequeno
Que experimente seu, próprio, veneno
Mantendo, entre nós dois, grandes distâncias.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE VIDA




AUSÊNCIAS
Ausências com ausências são vazios
Que, às vezes, se acumulam em nossa vida.
E quando atacados por estios
Aos poucos se transformam em feridas.
Ausências, sempre, causam alguns desvios
Da imagem que se espera refletida.
Na velha foto que foi corroída
Pelas barrentas, águas de um rio.
Têm as ausências mais inesperadas
Um batalhão de afeições trancadas
No cofre escuro do esquecimento.
Como se fossem pequeninas larvas
Aos poucos matam as lindas palavras
Que aos poucos matam velhos sentimentos.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE "RECADINHO DIRETO"



BRINCADEIRA DE AMOR
Tanto brinquei de amar, que num brinquedo
O amor me transformou, sem que eu sentisse.
Criando, em minha vida, um novo enredo
Crescendo em mim, sem que eu lhe permitisse.
Tomou conta de tudo. Trouxe o medo
Usando a mesma e velha fanfarrice.
Brincou, brincou, brincou... Depois me disse:
Jamais provoquem o meu maior segredo.
Sou como as águas de uma cachoeira
Sou como a águia atroz e altaneira
Antes que pense em me fazer de bobo.
Sou eu quem cria sentimentos nobres
Não adiantam seus truques esnobes
Porque sou eu quem faz as leis do jogo.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE BRINCADEIRAS



BRINCADEIRA DE AMOR
Tanto brinquei de amar, que num brinquedo
O amor me transformou, sem que eu sentisse.
Criando, em minha vida, um novo enredo
Crescendo em mim, sem que eu lhe permitisse.
Tomou conta de tudo. Trouxe o medo
Usando a mesma e velha fanfarrice.
Brincou, brincou, brincou... Depois me disse:
Jamais provoquem o meu maior segredo.
Sou como as águas de uma cachoeira
Sou como a águia atroz e altaneira
Antes que pense em me fazer de bobo.
Sou eu quem cria sentimentos nobres
Não adiantam seus truques esnobes
Porque sou eu quem faz as leis do jogo.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE BRINCADEIRAS




DECEPÇÃO
Relendo a carta que escreveu Caminha
Aquela frase: “Em se plantando dá”
Me fez lembrar daquela “musiquinha”
Que terminava assim: Lula, lá, lá...
É que ali nascia a “quadrilhinha”
Que eu sei, todos sabemos onde está.
Nas meias, nas cuecas. Por que será?
Que todos são ladrões de carteirinha?
Eu tanto acreditei nessas pessoas
Eu tanto acreditei em suas loas
Eu tanto, e tanto, e tanto, e tanto, e tanto
Acreditei que fosse gente séria
Pessoas oriundas da miséria
Quebrei a cara, e só eu sei o quanto!
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE NOTÍCIAS VELHAS, MAS, AINDA, TRISTES.


CHIFRE TECNOLÓGICO
Não falarei de amor neste poema
A cena que eu vivi foi muito triste.
Levei a namorada ao cinema
E descobri que o diabo existe.
No apagar das luzes uma cena
Deixou-me curioso. Quem resiste?
À tentação feroz de quem assiste
Uma coisa vulgar e tão pequena.
O ex da namorada, estava ao lado
Os dedos dedilhavam o teclado
De um celular. Já sabem o segredo?
Não é que os dois trocavam recadinhos
Lembranças dos momentos de carinhos
E eu chifrado através de torpedos.
Amaro Vaz
Macaé/Carangola
Série sacanagem
ARREPENDIMENTO
Relendo, meu diário, as suas folhas
(bastante amareladas pelo tempo)
Meus pensamentos voam feito bolhas
Que vão de braços dados com o vento.
São frágeis. Assim como as escolhas
Que fiz. Era imprudente o sentimento!
Depois que eles se vão...Nem as embolhas
Podem contê-las. Pois o sofrimento...
Depois que nos ataca o coração
Impede-nos a mais simples visão
E cegos de amor vamos à luta.
Buscando no passado as lembranças
Tentando achar perdidas esperanças
Curtindo um dor filha da puta.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE DIÁRIO

CONSELHO
Mamãe dizia que o casamento
Compara-se ao fogão de uma casa.
Com o fogo se prepara o alimento
Para mantê-lo quente, tem-se as brasas.
Como eu zombava desse pensamento
Ela dizia: Filho meu...Não casa!
Conceda um tempo aos seus sentimentos
Só alce um voo, após saber as asas.
Sentado no sofá, meu pai sorria
De uma maneira que eu não compreendia
Talvez por ser um, simples, aprendiz.
Hoje aos conselhos de mamãe me rendo
Um pouco tarde, finalmente, entendo
O seu conselho só me faz feliz.
Carangola/Macaé
Série Conselhos de Mãe




VÁRIAS
Minha poesia é casta
Porque a mim me basta
O néctar da deliciosa fonte
Desse meu amor demais...
A minha poesia é vasta
Porque nas estradas se gasta
Na procura desse amor demais...
A minha poesia é nefasta
Quando me afasta desse amor demais
Porque isso me dói, também, demais.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE VERSOS SOLTOS



Amaro Vaz

FELIZ GESTO VELHO
Ano Novo é sempre assim: Novos caminhos,
Novos sonhos, promessas de mudanças.
Renovadas as nossas esperanças
Vê-se rosas, onde antes viu-se espinhos.
Ano Novo é recomeço... É simplesmente
A certeza de que as coisas mudarão.
Seja o gesto. Seja o sonho. A visão!
Novo fruto há de vir dessa semente.
Inocente, o sentimento irmandade
Nossa alma, nossa mente, a tudo invade
De repente todo mundo é benfeitor.
Normalmente tudo dura poucos dias
Mal o mês de janeiro inicia
Voltam medo, guerra, ódio e rancor.
Carangola, 09 de janeiro de 2008


SIMPLES ASSIM
Simples assim... Melhor o fim, você
Pensou em si... Sem dó, re, mi, sem fá.
Perdido o tom...Perdido o som, não há
Motivo algum.. Vou ser mais um, pra quê?
Sem o abrigo...Nenhum amigo, crê
Que possa vir...Um existir de lá.
O que foi posto... Esse desgosto, está
Na escuridão... Sua ilusão, não vê?
Simples demais... Sem muitos ais, somente
O olhar distante... A vida errante, a mente
Como se fosse uma janela aberta.
Permite o ar... O sol entrar, a vida
A insensatez... Sua altivez suicida
Desenha o fim... Em mim, na hora certa.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA


DEFINITIVAMENTE
.
Juntei porções do seu amor semente
E as plantei em meu jardim de esperas.
Reguei, cuidei, podei, colhi somente
... Triste esperança feita de quimeras.
.
Você me prende feito uma corrente
Como se, em mim, fosse viçosas heras.
A mesma flor de tantas primaveras
O mesmo mal que me deixou doente.
.
Desenho fugas, mas você me prende
Por mais que chame, você não me atende
E assim cansado de tanto implorar.
.
Velhas sementes que guardei um dia
Eu deixarei que morram, à revelia
Que o amor, também, se cansa de esperar.
.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA

Se o ódio gera ódio e vice-versa
Prefiro não ter ódio, com certeza
Só gentileza gera gentileza
Pagar o mal, com o mal, não me interessa.
Eu sei que a justiça não tem pressa
E, às vezes, não é feita com clareza.
Depois de ver as cartas sobre a mesa
Alguém pode mudar essa conversa.
Eu quero crer que haja uma doença
Falta de fé, falta de Deus, de crença
E só a voz de satanás se ouviu.
É desprezível, eu sei... Eu senti pena!
Da pobre criancinha tão pequena
Que aquela triste cena assistiu.
AMARO VAZ


AMIGOS
Amigo se conjuga simplesmente
Verbalizando tempos casuais.
Alguns usando o verbo no presente
Já outros!... Verbo algum, lhes cabe mais.
A vida, às vezes, faz o amigo ausente
-distâncias entre amigos são normais-
O que não muda o verbo que há na gente
Porque todos nos são especiais.
Amigos, muitas vezes, conjugamos
Felizes com os verbos que ofertamos
Felizes com os verbos recebidos.
O que não vale é o tempo no futuro
Quando se deixa o verbo em pleno escuro
Que, aos poucos, faz amigos esquecidos.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA


ELES E ELOS
Vence na vida, quem diz sim à vida
Quem planta agora o dia de amanhã.
Quem crê, que mesmo na esperança vã
Há de existir a luz tão perseguida.
Vence na vida, quem enfrenta a vida
De peito aberto... Consciência sã!
Quem busca o trabalho com o afã
De quem procura um prato de comida.
Vence na vida, quem constrói mais pontes
Quem mata a sede nas melhores fontes
Vence na vida, quem melhor souber.
Unir talento com aprendizado
Correr atrás da vida, tendo ao lado
A imensurável força da mulher.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA

TRISTES LEMBRANÇAS
A sala de jantar cheia de flores
Que se espalharam ao chão, depois que o vento
Entrou sem permissão no aposento
Beijando sem preguiça as minhas dores.
No quarto, entre os lençóis, dois cobertores
Me fazem crer que o meu maior momento
Não permitiu que a luz do esquecimento
Pintasse o futuro de outras cores.
Ao lado de uma velha penteadeira
Por não ser devolvida à cristaleira
Dormia a taça com o vinho seu.
Abri minha janela, bem discreto
Deitei em minha cama, olhando o teto
Voltei à realidade. Ela morreu!
Macaé/Carangola.


Diz que tudo na vida é relativo
O tempo, o sentimento, o que temos.
É relativo, até, o que entendemos
Seja pleno, seja definitivo.
Quem fez a regra foi bem taxativo:
É relativo até o que perdemos.
É relativo o mundo em que vivemos
Nem mesmo a morte é fato conclusivo.
Questionamentos... Só questionamentos!
São relativos os Dez Mandamentos?
A criação do mundo é relativa?
Já repararam uma rosa se abrindo?
Coisa mais linda. A vida nos sorrindo!
Obra de Deus...Portanto conclusiva!
AMARO/CARANGOLA/MACAÉ 20/07/08
SER
Seja tarde, mas nunca seja ausente
Seja, apenas, limite, nunca o muro.
Seja, ainda, a luz, porque mora o escuro
Na solidão, tristonha, do demente.
Seja manso, mas nunca seja um tolo
Seja, apenas, o que é seu, pode a visão
Desejar o que pertence ao seu irmão
E pensar, que na ilusão mora o consolo.
Seja o tronco, que alimenta o filho galho
Seja a estrada, mas nunca seja o atalho
Seja o sol, é preciso que haja luz.
Seja a sombra, nada mais lhe falta agora
Seja o tempo, saiba então fazer a hora
De crer em Deus, compreender a cruz.
Carangola, 28 de novembro de 2007
R E C E I T A
Conquiste uma mulher muito carente
Daquelas, que se dão inteiramente
E dê a ela um pouco de atenção.
Agregue muitas gotas de carinho
Pitadas de abraços e beijinhos
E uma dose certa de emoção.
Depois de consumada esta mistura,
Prometa-lhe amor e outras juras
E cumpra, fielmente, os seus deveres.
Declame o seu poema preferido
Comente sobre um livro, antes lido,
E a deixe viajar em seus prazeres.
Quando, na cama, em uma noite fria
Explore todas as suas fantasias
Permita-lhe que viva intensamente.
Não deixe de incluir nesta receita
Algumas safadezas - ela aceita...
E, em aceitando, dá-se loucamente.
Mulheres, quando choram, fique atento
Esboçam muito mais que um sentimento
Invocam muito mais que uma dor.
Não pense no “eterno enquanto dure”
Não há uma união, que se perdure
Ou sobreviva à falta do amor.
Toda mulher, quer ser paparicada
Sentir-se, todo instante, desejada
E ter o seu homem na palma da mão.
Permita-lhes, portanto esses caprichos
Mulheres são iguais aos outros bich

os
Atacam pelo instinto o coração.
Mas...quando morre o amor - antes eterno-
Prepare - se... Pois é certo o seu inferno!
Seu ódio é vil.. Valores? Só dinheiro...
Mulher não é bolo inglês de padaria
Não tente compará-la a uma iguaria
Procure respeitá-la o tempo inteiro.
Não dê a uma mulher o desconforto
O coração de um homem é o seu porto
E o barco da paixão é o seu amante.
Enquanto ela caminha ao seu lado
Cuidado com o olhar desconfiado
Que ela a ti dirige a todo instante.
Finalizando esta receita louca
Cuidado, uma mulher com muita roupa
Às vezes esconde uma falsa dama.
É que o pudor, depois de corrompido
Explode-se em desejo proibido
Capaz de incendiar-se numa cama.
Amaro Bento Vaz Filho
Fortaleza - Sábado - 04.10.97





Amaro Vaz

18 de novembro de 2011 ·


EXTINTOR EM EXTINÇÃO
Esta paixão eu deixarei queimar
Todo este amor eu quero ver em chamas.
Quero explodir, morrer, ressuscitar
E sempre e sempre reviver tais dramas.
Aos seus delírios quero me entregar
Nos dias úteis e fins de semanas.
E no seu fogo imenso quero estar
Que esta paixão já se tornou mundana.
Basta que eu pense, pra acender o corpo
Pra navegar em direção ao porto
Assim eu vou vivendo o dia a dia.
Correndo atrás de todos os seus passos
Sonhando com o calor de seus abraços
E que me resta é uma fotografia.
Amaro Vaz






Amaro Vaz

18 de novembro de 2011 ·


RECEITA PARA DIMINUIR SAUDADE
Numa pequenina panela
fogo baixo, silêncio absoluto
prepare uma porção de tempo e calma.
Deixe ferver por alguns minutos
e acrescente algumas gotas de esperança.
uma pitadinha de bom humor, sorrisos fartos
e cinco gotas de de certezas.
Antes de retirar do fogo
prepare a mesa. Enfeite-a com flores silvestres.
Prometo, atraído pelo cheiro, chegar na hora certa
levando comigo meu abraço, meu beijo, minha alma.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA











Amaro Vaz

17 de novembro de 2011 ·



VULCÃO EXTINTO
MELHOR DEIXAR AS COISAS COMO ESTÃO
NENHUM DE NÓS SE FEZ MERECEDOR.
DAS COISAS MAIS BONITAS DESSE AMOR
O FIM DE TUDO É MESMO A SOLUÇÃO.
VOCÊ ME FAZ ENTRAR EM COMBUSTÃO
E LOGO PUXE O PINO DO EXTINTOR.
ASSIM, MEU BEM, NÃO HÁ NENHUM VULCÃO
QUE POSSA ENTRAR EM PLENA ERUPÇÃO.
A NOSSA RELAÇÃO FICOU TÃO CRÔNICA
QUE ATÉ A SECRETÁRIA TELEFÔNICA
QUE ANTES, COM CARINHO, ME ATENDIA.
BEM ANTES QUE COMPLETE O MEU RECADO
JÁ DIZ: TUM... TUM... SINAL DE OCUPADO!
SEM ME DIZER TCHAU, TENHA UM BOM DIA!

AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA







Amaro Vaz

15 de novembro de 2011 ·



PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
Dia 15 de novembro
Proclamou-se a república.
Inventando a causa pública
Que agora estamos vivendo.
No congresso vão tecendo
Contra a sua gente pudica.
Novos roubos cometendo
De uma forma um tanto impudica
Foi assim que começou:
“VISCONDEOUROPRETEOU”
Diante do Marechal.
Daí nasceu o mistério:
Se um roubava no império
Agora o roubo é plural.

AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA
SÉRIE HOMENAGEM









Amaro Vaz

15 de novembro de 2011 ·


ESCOLHAS
Salve os filhos desta pátria mãe gentil
Solidários, prestativos e cordatos.
Que escolhem sanguessugas, carrapatos
Pra ditarem as velhas regras no Brasil.
Não entendo como um povo varonil
Se sujeita às leis impunes e desacatos.
Vendo dólares sobrando nos sapatos
Desses lobos que botaram no covil.
Somos almas esticadas no curtume?
Como canta Caetano, em Ciúme?
O que somos? Afinal, que somos nós?
Como dizem nos terrais inconfidentes
Confundidos com pessoas inocentes
Para eles não passamos de “bocós”.
AMARO VAZ
CARANGOLA/MACAÉ







Amaro Vaz

15 de novembro de 2011 ·


INCLUSÃO
Miséria se combate com programas
De cunho social mais relevante.
As bolsas são somente atenuantes
Que irão amenizar os tristes dramas.
Eu não critico essas ações humanas
Embora tema que no Quartel de Abrantes.
As coisas voltem a ser como eram antes
E alguém possa querer lhes dar bananas.
Emprego e renda, são dois bons exemplos
Que evitariam muitos contratempos
Elevando o miserável à condição.
De acessibilidade social
Para poder gritar, lá no final:
Graças a Deus eu sou um cidadão.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA









Amaro Vaz

14 de novembro de 2011 ·



INTERROGAÇÕES
Sonhando ser a lei, fui exceção
Nas coisas deste amor tão conturbado.
Amor que em mim cresceu triste e fadado
Pra ser um pobre amor em extinção.

Em seu olhar não vi a intenção
De devolver o amor que lhe foi dado.
Sequer o seu sorriso foi mostrado
E assim morreu o amor. E desde então

Caminho pelas ruas, simplesmente
Como se fosse um cão preso à corrente
Sujeito ao seus capricho e mau trato.
Quando quero ficar, você me solta
Quando quero partir, me traz de volta
Grudada, sempre, em mim, qual carrapato.
AMARO VAZ
MACAÉ/CARANGOLA


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